Haddad inaugura Centro de Cidadania LGBT e enfrenta avalanche de selfies
FELIPE SOUZA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma avalanche é a melhor definição para o tumulto formado por gays, travestis e lésbicas para tirar uma selfie (autorretrato) com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), nesta sexta-feira (27).
Com paciência e sorridente, Haddad atendeu a todos os pedidos durante a inauguração do Centro de Cidadania LGBT, na região do Arouche (centro).
Antes do alvoroço causado no encerramento, a cerimônia teve emoção.
Com lágrimas nos olhos, a assistente social Tais Souza, 33, interpretou Balada de Gisberta, de Maria Betânia, na abertura da cerimônia. "Eu me inspirei na morte do travesti brasileiro assassinado em Portugal em 2006 [Gisberto Sauce Neto] para transmitir o que sinto. Infelizmente, no Brasil sempre precisamos mostrar a dor de outra pessoa para evitar que se repita e pedirmos mais direitos", disse.
Souza conta com orgulho a experiência de superação para ser a primeira travesti assistente social da América Latina. "Eu sofri muito preconceito na faculdade porque eu estava num meio onde tinha muitas mulheres de vereadores e pessoas importantes que não me aceitavam. Estou aqui para mostrar que todas podem conquistar seu espaço, pois já morei na rua, sofri transfobia e venci."
Casada há quatro anos, Souza não deixa de comentar, com respeito, sobre a fama do "prefeito gato". "Eu acho [o Hadadd] muito charmoso e muito elegante. Mas o mais importante é ter um olhar diferenciado para a diversidade sexual. Temos de dar mérito para as pessoas que olham pelas minorias e valorizam as diferenças, como o Haddad", disse.
