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Copiloto do A320 teve intenção de "destruir o avião", diz promotor

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LEANDRO COLON, ENVIADO ESPECIAL
PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - As investigações das autoridades francesas apontam que um ato deliberado do copiloto derrubou o Airbus A320 da Germanwings com 150 pessoas a bordo na última terça-feira (24).
Segundo o promotor de Justiça de Marselha, Brice Robin, o copiloto Andreas Lubitz, 28, impediu de forma voluntária o retorno do piloto à cabine e operou intencionalmente para chocar o avião contra os Alpes franceses.
"Enquanto estava sozinho, o copiloto pressionou o botão para colocar o avião em descida. É uma ação em altitude que só pode ocorrer de forma deliberada", disse o promotor, em coletiva nesta quinta-feira (26).
O gesto do copiloto, afirmou, mostra uma "tentativa de destruir o avião".
A autoridade francesa afirmou que não há, por enquanto, elementos que expliquem essa atitude.
Os investigadores descartam até agora qualquer motivação terrorista por parte do funcionário da empresa aérea.
As informações foram obtidas por meio das gravações de áudio da caixa-preta encontrada em meio aos destroços na terça.
O voo fazia a rota Barcelona (Espanha)-Dusseldorf (Alemanha) com 144 passageiros e seis tripulantes ?todos morreram.
O avião caiu por volta de 11h (7h, horário de Brasília) de terça-feira, após uma repentina descida em quase dez minutos em direção às montanhas, sem qualquer alerta de emergência.
A Lufthansa, que controla a Germanwings, afirmou, por meio do CEO, Carsten Spohr, que Lubitz havia passado nos testes médicos e técnicos, não dando qualquer indício de que poderia cometer um ato como este.
Ele fora contratado em 2013 e tinha, segundo informações da empresa aérea, 630 horas de voo.
O promotor de Marselha confirmou a informação antecipada pelo jornal "The New York Times" de que havia apenas um piloto na cabine na hora da queda ?o outro havia deixado o local pouco antes.
"É possível ouvir que ele (o piloto) bate, se identifica, pede para abrir a porta, mas não há resposta", afirmou.
Brice Robin disse também que a cabine ficou em "absoluto silêncio" nos últimos dez minutos antes da queda.
É possível ainda, segundo ele, ouvir a respiração do copiloto até o momento do impacto, o que mostraria que ele estava vivo na hora do choque com a montanha.
Os passageiros provavelmente só perceberam nos momentos finais o que estava acontecendo ?gritos podem ser ouvidos momentos antes da colisão, segundo o áudio gravado na caixa-preta.
Robin, no entanto, disse que não vê a queda do A320 como um suicídio. "Quando se é responsável por 150 pessoas, eu não chamo isso de suicídio", disse.

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