Situação da Venezuela se resolverá "por via eleitoral", diz chanceler
FLÁVIA FOREQUE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, afirmou nesta terça-feira (24) que há uma "posição unânime" de que a situação política na Venezuela será resolvida por "via eleitoral". Em audiência no Senado Federal, ele defendeu a atuação de missão da Unasul que acompanha o tema e disse ter tido uma "impressão positiva" em recente viagem do grupo a Caracas.
"Só posso achar que as condições estão dadas e que devemos acreditar que as eleições se resolverão dentro dos prazos previstos, dentro dos quesitos da lei", afirmou em sua primeira audiência no Congresso Nacional após assumir o cargo.
Ele ponderou que a missão da Unasul, formada por Brasil, Equador e Colômbia, "não foi lá para julgar, para dizer o que está certo ou errado" e sim para "promover o diálogo" entre o governo do presidente Nicolás Maduro e a oposição.
Vieira foi questionado sobre temas como a redução do orçamento no Itamaraty, as relações entre Brasil e Estados Unidos e o pleito brasileiro por um assento de segurança nas Nações Unidas.
ESTADO ISLÂMICO
O suposto aliciamento de brasileiros pela milícia radical sunita Estado Islâmico também foi alvo de perguntas dos senadores. Reportagem publicada pelo jornal "O Estado de S.Paulo" no último domingo (22) afirma que relatórios de inteligência trazem alertas sobre a influência da milícia no Brasil, além de tentativa de cooptação de brasileiros.
"Não temos até o momento nenhuma confirmação de que exista um caso de recrutamento dentro do território brasileiro. O único caso, que é de conhecimento público, é de um jovem com nacionalidade belga e brasileira, que parece que estaria na Síria. É a única informação que temos", disse.
Segundo ele, o Itamaraty não tem "nenhuma informação ou nenhuma evidência" sobre tal movimento do Estado Islâmico.
ESTADOS UNIDOS
Vieira destacou as boas relações entre Brasil e Estados Unidos, apesar de denúncias de espionagem norte-americana de autoridades brasileiras -entre elas, a própria presidente Dilma Rousseff. O episódio provocou o adiamento de viagem de Estado da presidente a Washington.
O encontro, agora, ocorrerá num "momento oportuno", disse o chanceler. Segundo o chanceler, em visita recente aos EUA, ele foi informado da "renovação do convite à presidente Dilma".
"Concordamos que a visita deve se realizar no momento em que for conveniente para os dois lados e no momento que tivermos atingido uma agenda importante e densa. A visita de chefe de Estado não deve ser desperdiçada apenas com acordos protocolares", afirmou, sem apontar data específica.
ARGENTINA
O ministro das Relações Exteriores minimizou a aproximação entre Argentina e China quando questionado sobre relações comerciais entre os países. No mês passado, a presidente Cristina Kirchner fez visita oficial ao gigante asiático, e cumpriu agenda de encontros com presidentes de empresas chinesas e com o líder chinês, Xi Jinping.
"Grande parte dos acordos, até onde vimos, são acordos declaratórios de intenção", disse ele, ponderando ainda que nenhum desses acordos interfere "diretamente" na relação entre os países do Mercosul.
