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Ministério da Saúde notifica prefeitura após médica denunciar racismo no PR

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério da Saúde notificou a Prefeitura de Santa Helena (a 619 km de Curitiba) para que dê explicações sobre a acusação de racismo feita contra a secretária da Saúde por uma médica do programa federal Mais Médicos.
Caso o município não se manifeste em cinco dias ou seja comprovado o ato de racismo, a prefeitura estará sujeita a sanções do ministério, no âmbito do programa.
A médica gaúcha Thatiane Santos da Silva, 30, que é negra, ouviu da secretária municipal Terezinha Madalena Bottega que o cabelo "dreadlock" dela exala um forte cheiro, que os pacientes da cidade estão acostumados a outro "padrão" de profissionais e que ela poderia sofrer preconceito.
Em nota, o Ministério da Saúde disse que "repudia veementemente todas as formas de discriminação étnico-racial, reconhecendo o preconceito como determinante social que impacta diretamente nas condições de saúde e de vida dos brasileiros".
Ainda segundo o documento, a pasta acompanha denúncias de descumprimento das regras do Mais Médicos que venham a ser cometidos pelos municípios e que, por meio do Disque Saúde 136, é possível denunciar casos de racismo ocorridos no SUS.
A médica gaúcha registrou boletim de ocorrência. Thatiane cursou medicina em Cuba, formando-se em 2012. Ela obteve registro no CRM (Conselho Regional de Medicina) após passar pelo exame Revalida.
A secretária da Saúde de Santa Helena confirmou à reportagem o teor da conversa com a médica, mas negou que tenha praticado qualquer ato de racismo. "A gente quis alertá-la de possíveis comentários porque não estamos acostumados a esse tipo de visual", disse Bottega. A cidade, no interior do Paraná, foi colonizada por alemães e italianos.
O prefeito Jucerlei Sotoriva (PP) disse à reportagem nesta segunda que vai "acolher" a médica, mas defendeu a secretária, dizendo que o comentário dela visou "proteger a médica".

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