Uma semana após vencer eleição, Netanyahu se desculpa por declaração
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Menos de uma semana após as eleições legislativas em Israel --nas quais seu partido saiu vencedor-- e após duras críticas dos EUA e de grupos políticos israelenses, o premiê do país, Binyamin Netanyahu, pediu desculpas nesta segunda-feira (23) por seus comentários sobre o voto dos árabes na eleição.
"Sei que as coisas que disse há poucos dias feriram alguns cidadãos e feriram os árabes de Israel."
"Não tinha a intenção de fazê-lo, e peço desculpas por isso", disse o premiê, segundo o site Ynet.
Na terça-feira (17), dia das eleições, Netanyahu advertiu em uma transmissão de vídeo on-line que árabes compareciam em massa para votar, levados por ônibus pagos pela esquerda, e conclamou seus seguidores a irem às urnas para impedir a derrota da direita.
Nesta segunda, após uma enxurrada de críticas, o chefe do Executivo se referiu publicamente a essa sua atitude.
"Vejo-me como primeiro-ministro de cada um de vocês, de todos os cidadãos israelenses, sem distinção de religião, raça ou gênero", afirmou o premiê, após ter dito que "minhas ações como primeiro-ministro, incluindo o investimento de peso em grupos minoritários, provam completamente o contrário [que não faz distinções]. Também acho que nenhuma autoridade de fora de Israel deva interferir em nosso processo democrático".
Nas eleições de terça passada, o Likud, partido de Netanyahu, obteve 30 cadeiras no Parlamento, surpreendo as pesquisas, que mostravam a sigla atrás do União Sionista, de centro esquerda.
Alguns analistas não descartam que a fala do premiê, chamada de desesperada, tenha tido influência no resultado do pleito.
Os comentários foram criticados no fim de semana tanto pela Casa Branca como por árabes e por Isaac Herzog, do União Sionista, que será o líder da oposição nessa próxima legislatura.
Herzog acusou Netanyahu de humilhar 20% da população com o intuito de obter um punhado de votos.
