Três presos em operações do Gaeco estão em celas especiais em Londrina
Os advogados Rosineide Semprebom, irmã de dois auditores da Receita Estadual presos por fazerem parte de um esquema de sonegação de impostos e proprina, e José Carlos Lucca, suspeito de advogar para um grupo que fraudava licitação de manutenção de viaturas, foram transferidos para celas especiais em Londrina, no norte do Paraná.
As celas ficam no quartel do Corpo de Bombeiros, mesmo local onde está preso um parente do governador Beto Richa (PSDB), Luiz Abi, desde quarta-feira (18).
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), prendeu 25 pessoas em uma operação de combate a um suposto esquema de propina e sonegação de impostos no estado nesta semana. Na operação, o Gaeco prendeu auditores suspeitos de deixarem de autuar empresários, que sonegavam impostos, em troca de propina. Apenas um dos investigados, por exemplo, deixou de pagar R$ 7 milhões com a colaboração dos fiscais, conforme aponta a investigação.
De acordo com o MP-PR, o esquema era centralizado na Receita Estadual de Londrina. Cargas irregulares de combustíveis e confecções eram liberadas com ajuda de fiscais e policiais. Em uma empresa no centro da cidade, foram apreendidos R$ 240 mil em dinheiro vivo. Outros dois empresários dizem que pagaram R$ 200 mil para participarem do esquema. Luiz Abi, parente de Richa, apontado como chefe do esquema para fraudar licitações para consertar viaturas, foi transferido para o quartel dos bombeiros na quarta-feira após a Justiça entender que seria arriscado mantê-lo na penitenciária estadual. Na decisão, o juiz da Vara de Execuções Penais disse que a permanência de Abi no presídio comum poderia deixar o local ainda mais inseguro.
Os outros presos foram encaminhados para presídios comuns, como a unidade II da Penitenciária Estadual de Londrina. Lá estão empresários e auditores da Receita Estadual. Para o Gaeco, ainda não há relação direta entre as duas operações deflagradas nesta semana, mas alguns suspeitos integram os dois grupos criminosos. Alguns empresários que foram presos pelo órgão, já foram liberados porque passaram a colaborar com as investigações. Indicaram como era a participação e também de outros integrantes no esquema.
