EUA reavaliam apoio a Israel na ONU após recuo sobre Estado palestino
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Casa Branca disse nesta quinta-feira (19) que está avaliando qual caminho seguir depois dos comentários do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, de que desconsiderava uma solução de dois Estados.
"Ele se distanciou dos compromissos previamente feitos por Israel por uma solução de dois Estados", disse o porta-voz Josh Earnest. "Isso é motivo para os EUA avaliarem qual é o caminho a seguir."
Segundo o porta-voz, Washington pode reconsiderar sua política de longa data de proteger Israel da pressão internacional na ONU.
"Os passos dos EUA na ONU foram tomados sobre a ideia de que a solução de dois Estado é a melhor", disse. "Agora nosso aliado diz não estar mais comprometido com essa solução."
Na segunda-feira (16), o premiê israelense afirmou que não haveria um Estado palestino caso fosse reeleito nas eleições de terça-feira (17).
Nesta quinta, Netanyahu negou, porém, que tenha mudado de atitude. "Não mudei minha política. Nunca retratei meu discurso na Universidade de Bar-Ilan, há seis anos, reivindicando um Estado palestino desmilitarizado que reconheça o Estado judeu", disse em uma entrevista à MSNBC, dois dias depois de vencer o pleito.
"O que mudou foi a realidade", afirmou, citando a recusa da Autoridade Palestina de reconhecer Israel como terra do povo judeu e o contínuo controle do grupo militante Hamas da faixa de Gaza.
Mas a Casa Branca se manteve impassível. Earnest alertou que haverá "consequências" para Israel enquanto o governo de Barack Obama reconsidera sua estratégia diplomática para o Oriente Médio e monitora a formação da nova coalizão de Netanyahu.
A dura resposta dos EUA assinala que as relações entre EUA e Israel, já em seu pior ponto desde a chegada de Obama ao poder, poderiam se deteriorar ainda mais.
Entre os riscos mais sérios para Israel estaria uma mudança da atitude de Washington na ONU. Os EUA por muito tempo se colocaram como obstáculo aos esforços palestinos de conseguir uma resolução na organização reconhecendo um Estado, incluindo ameaçando usar seu poder de veto, e protegeu Israel de tentativas de isolá-lo internacionalmente.
