Indonésia decide adiar execuções de brasileiro e outros nove condenados
RICARDO GALLO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo da Indonésia adiou por tempo indeterminado as execuções de dez condenados à morte por tráfico de drogas, entre elas a do brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte, 42.
O adiamento se deve a duas razões: 1) recursos que alguns dos condenados à morte propuseram à Justiça indonésia e 2) forte pressão internacional, principalmente da Austrália, contra as execuções.
Nesta quinta-feira (19), o procurador-geral HM Prasetyo disse que as execuções, quando ocorrerem, serão simultâneas. Assim, enquanto houver pendências na Justiça relacionadas a algum prisioneiro, ninguém será punido com a pena capital.
Na quarta-feira (18), o vice-presidente indonésio, Jusuf Kalla, havia dito a jornalistas em Jacarta que as execuções estão adiadas por "semanas e até meses".
Na Indonésia, a execução se dá por pelotão de fuzilamento. Em janeiro, seis prisioneiros foram executados, entre os quais o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53.
A segunda rodada de execuções estava prevista pelo governo inicialmente para fevereiro. No início de março, o procurador-geral chegou a dizer que 95% dos preparativos para os fuzilamentos estavam concluídos. A cidade de Cilacap chegou a ficar tomada por policiais. É lá, a 400 quilômetros da capital Jacarta, que acontecem as execuções, dentro do complexo de prisões de Nusakambangan.
Paranaense preso na Indonésia foi condenado a pena de morte - Foto: YAHOO
Há na lista de próximos executados, além de Gularte, três nigerianos, dois australianos, um cidadão francês, uma filipina, um ganense e um indonésio. Entraram com recurso dois australianos, a cidadã das Filipinas e o francês.
BRASILEIRO
A família do brasileiro Rodrigo Gularte decidiu trocar o advogado na semana passada. O defensor anterior não concordava em entrar na Justiça com recursos judiciais para tentar adiar a execução. Ele apostava em argumentar a fragilidade do estado de saúde de Gularte, que tem esquizofrenia.
A nova defesa prepara recurso, a exemplo do que outros prisioneiros fizeram, para a Suprema Corte nos próximos dias. Entre os argumentos está o fato de Gularte ter sido julgado na primeira instância sem a presença de um advogado.
No final de fevereiro, o governo indonésio examinou o brasileiro para atestar a esquizofrenia. O resultado não foi divulgado.
Neste mês, a ONU condenou a iminência das execuções na Indonésia, assim como entidades indonésias de direitos humanos e a Anistia Internacional. Além disso, o governo da Austrália, principal parceiro comercial indonésio, ameaçou retaliar o país vizinho se os seus dois cidadãos fossem fuzilados.
