Venezuela liberta quatro estudantes presos em protestos contra Maduro
SAMY ADGHIRNI
CARACAS, VENEZUELA - A Justiça da Venezuela determinou que quatro estudantes presos por envolvimento nos violentos protestos antigoverno do ano passado poderão aguardar julgamento em liberdade.
As libertações, que aparentam ser uma resposta às crescentes críticas internacionais contra o governo venezuelano, aconteceram entre a última segunda e a madrugada desta quarta (18).
O mais conhecido dos libertados é Christian Holdback, 35.
Ele havia sido detido um ano atrás enquanto fotografava parte das manifestações estudantis que resultaram na morte de 43 pessoas, incluindo policiais, ao longo do primeiro semestre de 2014.
Acusado de incitação à violência e depredação do patrimônio público, entre outros crimes, Holdback já está em sua casa, mas deverá se apresentar à Justiça a cada oito dias e está proibido de sair do país.
Ele está sendo julgado no mesmo caso que o político opositor Leopoldo López, também preso há um ano por depredação do patrimônio público e incitação à violência.
Holdback, que sofre de depressão e falava em se matar, foi libertado seis dias depois que um piloto de avião particular também preso pelos protestos de 2014 se suicidar ao se enforcar na cadeia.
Os outros libertados foram identificados pela oposição como Julver Pulido, Juan Esqueda e Miguel Ángel Nieto.
Dezenas de outras pessoas continuam presas pelos protestos, entre elas estudantes e políticos, como o prefeito metropolitano de Caracas, o opositor Antonio Ledezma.
Nesta quarta-feira, um juiz negou pedido da defesa de Ledezma para que fosse libertado.
Assolado por uma grave crise econômica e com popularidade baixa (22%), o governo venezuelano é acusado de oprimir opositores e de violar direitos humanos.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à OEA, cobrou das autoridades venezuelanas que forneçam proteção policial a membros da ONG Foro Penal que vêm recebendo ameaças por defender pessoas presas nos protestos do ano passado.
Desde 2004, a CIDH é impedida de fazer missões de observação na Venezuela. O governo venezuelano nega irregularidades e diz que as denúncias de abusos atendem aos interesses da oposição.
