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Presidente da ANA diz que o termo 'volume morto' foi 'tucanado'

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VENCESLAU BORLINA FILHO
CAMPINAS, SP (FOLHAPRESS) - O diretor-presidente da ANA (Agência Nacional de Águas), Vicente Andreu Guillo, afirmou nesta quarta-feira (18) que o termo "reserva técnica", usado pela Sabesp e pelo governo do Estado de São Paulo para indicar a água captada abaixo das comportas do sistema Cantareira, foi uma "tucanada" brasileira do termo "volume morto", que, segundo ele, é usado internacionalmente.
Guillo deu a declaração a jornalistas depois de assistir a uma palestra de pesquisadores internacionais sobre a crise hídrica no país, em que eles se referiram à reserva de água como volume morto. O termo é uma referência ao PSDB, partido do governador Geraldo Alckmin.
"Vocês viram aqui [na palestra] que 'volume morto' é um termo internacional. A novidade é 'reserva técnica'. A tucanada foi dada aqui [no Brasil]", disse o diretor-presidente, que também participou do evento realizado pela reitoria da Unicamp, em Campinas (a 93 km de São Paulo), para discutir sustentabilidade e segurança hídrica do Estado de São Paulo.
Nesta terça (17), a Sabesp adotou novas regras para a divulgação do volume do Cantareira. O método foi criticado por integrantes do Ministério Público.
Guillo fez outras críticas durante sua participação no evento. Sem citar nomes, partidos nem instituições, afirmou que, por ser petista, foi acusado de querer "derrubar o governo do Estado" durante a crise hídrica do ano passado -a ANA, do governo federal, participa da gestão do Cantareira junto com o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), do Estado.
Ele também apontou uma interferência política na direção dos Comitês dos Rios PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí), que tem no comando pessoas ligadas ao governador Geraldo Alckmin (PSDB). "No ano passado, os representantes dos comitês não compareceram a uma reunião sobre a crise hídrica porque estava próximo das eleições", disse.
Guillo defendeu os comitês como representantes dos interesses da sociedade e cobrou mais ação para gestão da crise. Além disso, mostrou as necessidades de mudança na gestão do Cantareira para a renovação da outorga, prevista para outubro deste ano. Na semana passada, a Folha de S.Paulo revelou a proposta da ANA de operação do sistema por meio de cotas.
Procurada, a Sabesp informou que não se manifestaria sobre as declarações. Nesta terça-feira (17), durante o mesmo evento, especialistas e estudantes fizeram críticas e protestaram contra a gestão do governador Geraldo Alckmin da crise hídrica no Estado.

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