Dois meses após morte de promotor argentino, conta nos EUA é revelada
MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Dois meses após a morte do promotor argentino Alberto Nisman, segredos de sua vida pessoal estão sendo revelados. Ainda não se sabe se eles teriam relação com a sua morte.
O técnico em informática Diego Lagomarsino, que trabalhava para o promotor, deverá informar oficialmente nesta quarta (18) à Justiça que os dois mantinham uma conta conjunta no banco americano Merril Lynch. A mãe e a irmã do promotor morto também seriam beneficiárias da conta.
Outra revelação que Lagomarsino deverá fazer, segundo o jornal "Clarín", é que Nisman ficava com parte do salário que pagava ao funcionário.
Essas informações começaram a aparecer no fim de semana. A existência da conta bancária levantou a suspeita, por parte da ex-mulher de Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salgado, de que o promotor poderia ter sido vítima de um assassinato por motivos financeiros.
Arroyo Salgado descarta a hipótese de suicídio, investigada pela promotoria.
A defesa de Lagomarsino afirmou na terça (17) que revelaria informações que poderiam manchar a imagem do promotor morto. Elas eram mantidas em segredo, segundo o advogado Maximiliano Rusconi, porque eram informações pessoais. Mas seu esclarecimento se tornou urgente depois da suspeição.
'SEM-VERGONHA'
As revelações ainda não foram oficialmente feitas à promotoria e ainda não se sabe se são verdadeiras. Mas já provocou reação do governo.
O chefe de gabinete da presidente Cristina Kirchner, Aníbal Fernández, chamou Nisman de "sem-vergonha".
"Ele recebeu muitíssimos recursos para esclarecer o caso Amia [atentado contra uma entidade judaica, em 1994] e se dedicava a sair com garotas e pagar jantares. Fez pouco caso durante todo esse tempo das 85 vítimas e dos mais de 300 feridos do atentado. Um sem-vergonha que poucas vezes se viu neste país".
