Fotos sobre morte de promotor argentino são divulgadas
MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Fotos da arma usada na morte do promotor Alberto Nisman e das pessoas que trabalhavam em seu apartamento, na noite do dia 18 de janeiro, quando ele foi encontrado sem vida, foram divulgadas nesta terça (17).
As imagens foram exibidas pelo canal de TV TN, que informou ainda que as balas encontradas no revólver seriam novas.
Isso pode complicar a versão do técnico em informática Diego Lagomarsino, que havia dito que a arma era velha e sem uso. Ele admitiu ter emprestado o revólver a pedido de Nisman, para que ele protegesse sua família de ameaças.
Outra foto revelada é da equipe que trabalhava na casa do promotor no dia em que o corpo de Nisman foi encontrado. Na imagem exibida pelo canal de TV, aparecem pelo menos dez pessoas, sem nenhuma roupa de proteção.
Eles estavam na cozinha de Nisman, onde foram recolhidas evidências para o caso.
A imprensa local questiona a falta de cuidado da investigação com a preservação da cena da morte de Nisman. Testemunhas chegaram a dar entrevistas descrevendo que havia, no apartamento, cerca de 50 pessoas. Isso pode ter prejudicado a coleta de provas.
As fotos fazem parte da perícia paralela encomendada pela ex-mulher de Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salgado. Nesta quarta (18), completam-se dois meses da morte do promotor, e o caso segue longe de uma solução.
Além das fotos, foi divulgado também todo o conteúdo do laudo da perícia paralela, que concluiu que Nisman teria sido assassinado.
Segundo os técnicos contratados pela ex-mulher do promotor, ele teria sido executado, de joelhos, no banheiro de seu apartamento.
O canal de TV informou que não mostraria fotos do corpo de Nisman em respeito à sua família, mas que as imagens deixavam clara a tese de que o seu corpo foi movido de lugar.
Os peritos de Sandra Arroyo Salgado escreveram, no relatório, que o corpo do promotor foi girado. Em vez de ter morrido de frente para o espelho, como registrou a perícia oficial, Nisman teria caído sem vida de frente para a banheira e depois girado para a outra posição, com o intuito de levar a crer que ele teria feito o disparo diante do espelho.
A hipótese se baseia em imagens sobre como a mancha de sangue se espalhou pela camisa de Nisman e, também, pelo local onde foi encontrada a arma usada em sua morte.
O disparo que matou o promotor entrou pelo lado direito de sua cabeça e a arma foi encontrada embaixo do ombro esquerdo de Nisman. Isso é "inexplicável" segundo o laudo da perícia.
Os peritos também afirmaram que disparos feitos por suicidas não costumam ser feitos por detrás da orelha, como ocorreu com Nisman. Segundo eles, essa característica do tiro sugeriria uma execução.
Também foi confirmada a informação de que foram encontradas manchas de sangue lavadas na torneira e na pia do banheiro, o que indica que alguém lavou as mãos sujas de sangue no local.
LETRA NÃO SERIA DE SUICIDA
Exame da letra de Nisman, feito a partir de uma assinatura datada de 13 de janeiro --cinco dias antes de ele ser encontrado morto-- também afastaria a hipótese de suicídio.
O laudo desse exame grafológico também foi divulgado pelo canal de TV TN.
O relatório fala em "autodeterminação" e "resistência psicofísica", o que não condiz com o perfil de um suicida.
