Promotora continuará na investigação sobre morte de promotor argentino
MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A promotora argentina Viviana Fein, 64, levou a melhor na mais recente divergência pública que trava com a juíza Sandra Arroyo Salgado, ex-mulher do promotor Alberto Nisman, encontrado morto há dois meses.
A juíza discorda da conduta de Fein na investigação da morte de Nisman e havia pedido seu afastamento.
Nesta terça (17), a juíza responsável pelo caso, Fabiana Palmaghini, decidiu que Fein continuará na investigação.
Assim que assumiu o caso, Fein havia sugerido que Nisman teria cometido suicídio. Hoje ela diz investigar todas as possibilidades.
A morte do promotor ainda é tratada como duvidosa.
Perícia paralela encomendada por Arroyo Salgado concluiu que ele teria sido assassinado. Mas Fein, segundo a ex-mulher de Nisman, só investiga a hipótese de suicídio.
Na última semana, Fein chamou para depor colegas e supostas namoradas de Nisman, a fim de esclarecer se ele poderia ter demonstrado alguma fragilidade sentimental que justificasse um suicídio.
Só após intervenção de Arroyo Salgado, e 50 dias após o ocorrido, é que a polícia foi buscar eventuais vestígios que pudessem provar se o técnico em informática Diego Lagomarsino estaria envolvido com a morte do promotor.
Lagomarsino é, até agora, a última pessoa que viu Nisman com vida. Ele admitiu ter emprestado a arma que foi usada na morte do promotor.
Mas foi a perícia paralela que azedou de vez o clima entre as duas.
Na apresentação pública de sua perícia, Arroyo Salgado não deu detalhes sobre por que descartava a hipótese de suicídio. O assunto, então, passou a ser alvo de especulação nos dias seguintes. Faria parte do ponto 12 do relatório, que a juíza não havia divulgado.
Em entrevista a uma rádio local, Fein foi a público dizer o tal ponto 12 nunca existiu. Mas acabou desmentida pouco depois, também pela imprensa, por Arroyo Salgado: "Estão faltando com a verdade, que não mintam para as pessoas", criticou a juíza.
Foi depois desse bate-boca midiático que Arroyo Salgado decidiu pedir à Justiça o afastamento de Fein da investigação.
Ao se defender, Fein disse que tentava resguardar provas do caso, a pedido da própria juíza.
A interlocutores, a promotora culpa Arroyo Salgado pela letargia em outras frentes de investigação. A perícia nos computadores de Nisman e nas câmeras de segurança do edifício onde ele morava estão paradas, segundo ela, por determinação da juíza.
LAGOMARSINO
Outro que não anda nada satisfeito com o trabalho da ex-mulher de Nisman é Diego Lagomarsino. Desde que veio a público a perícia paralela de Arroyo Salgado, Lagomarsino voltou ao centro das suspeitas.
No fim de semana, o jornal "Perfil" trouxe a informação de que o técnico tinha uma conta conjunta com Nisman nos EUA. A suspeita seria, então, que ele poderia ter um interesse econômico na morte do sócio.
A defesa de Lagomarsino ficou em silêncio até esta terça (16), quando prometeu revelar dois segredos que podem manchar a imagem de Nisman.
O primeiro seria a confirmação de existência da tal conta bancária. O segundo ainda não foi divulgado. Quando morreu, Nisman usava um carro em nome de uma empresa e informações não oficiais, publicadas na imprensa local, dizem que foi encontrado um cheque de quantia elevada no cofre de seu apartamento.
As suspeitas de uma morte por razões econômicas parecem ser hoje o centro da investigação de Arroyo Salgado.
INVESTIGAÇÃO DE NISMAN
Numa outra frente judicial, o governo sofreu uma derrota na tentativa de afastar o promotor Germán Moldes na defesa do inquérito contra a presidente Cristina Kirchner, que era tocada por Nisman até a sua morte.
Moldes participou da passeata silenciosa dos promotores no dia 18 de fevereiro, classificada como opositora e golpista pelo governo, que pediu seu afastamento.
O papel do promotor é defender, frente a três juízes, que a investigação de Nisman deve continuar. O juiz Daniel Rafecas havia rejeitado o inquérito.
A promotoria insistiu e recorreu à outra instância da Justiça. A decisão sobre se a investigação de Nisman permanecerá viva deverá sair nesta quinta (19).
