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Nova prova pode levar à condenação de milionário excêntrico de Nova York

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GIULIANA VALLONE
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Ao longo de mais de 30 anos, Robert Durst, um milionário excêntrico de Nova York, conseguiu passar por três investigações criminais sem nunca ter sido condenado.
Com contornos hollywoodianos, sua biografia inclui o desaparecimento de sua primeira mulher -nunca encontrada-, o assassinato da melhor amiga e o esquartejamento de um vizinho quando viveu sob o disfarce de uma mulher muda no Texas.
Mas, no último sábado (14), a sorte de Durst, 71, parece ter começado a mudar, em grande parte por sua própria culpa.
Ele foi preso em New Orleans após a reabertura de uma das investigações.
A prisão aconteceu depois que a série documental "The Jinx: A Vida e As Mortes de Robert Durst", da HBO, exibiu uma nova prova em rede nacional nos EUA -entregue aos investigadores meses antes.
O documentário começou a ser realizado em 2010, depois que o diretor Andrew Jarecki lançou o filme "Entre Segredos e Mentiras", inspirado na vida de Durst.
O retratado assistiu ao longa e ligou para Jarecki: queria dar uma entrevista e contar sua visão dos fatos.
Nos anos seguintes, o diretor e o produtor Marc Smerling entrevistaram também familiares e amigos das vítimas, autoridades e os advogados do milionário.
HISTÓRIA
Os casos que envolvem Durst são tantos que só podem ser entendidos se contados em ordem cronológica.
Em 1982, sua primeira mulher, Kathleen, desaparece. O casamento era conturbado, e o próprio Durst admite que a agredia, mas sua culpa no caso nunca foi comprovada.
No ano 2000, as autoridades de Nova York reabriram o caso e convocaram para depor Susan Berman, 55, a confidente de Durst que atuou como sua porta-voz na década de 1980.
Um mês depois, ela foi assassinada. Mais uma vez, a polícia não conseguiu provar a participação de Durst no crime.
Para fugir das repercussões, Durst mudou-se para Galveston, no Texas, onde se disfarçou de uma mulher muda para alugar um apartamento.
Em 2001, seu vizinho na cidade, Morris Black, foi morto e esquartejado.
O milionário confessou ter cortado o corpo do homem, mas afirmou que o homicídio aconteceu em legítima defesa.
O júri comprou a tese e ele foi considerado inocente.
A nova prova encontrada por Jarecki e sua equipe -uma carta escrita por Durst a Susan Berman cuja caligrafia é praticamente idêntica a de um bilhete enviado pelo assassino na época do crime-, combinada a outras evidências não reveladas pela polícia, levou Durst à prisão pela primeira vez em anos.
E, segundo as autoridades, a prova pode finalmente levá-lo à condenação.
No domingo, foi ao ar o último episódio de "The Jinx", que, coincidentemente, significa "mau agouro".
Confrontado com a prova obtida pela produção, um Durst claramente nervoso nega novamente seu envolvimento nos casos.
Mas, ao término da entrevista, esquece-se de que ainda está usando um microfone ligado e vai ao banheiro. Lá, em uma conversa confusa consigo mesmo, diz: "Aí está, você foi pego".
"Que diabos eu fiz?", pergunta-se. "Matei todos eles, claro."

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