Viação contratada para viagem em SC deu dados de outro ônibus ao DER
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A empresa contratada para fazer a viagem com o ônibus que se acidentou no sábado (14), em Santa Catarina, ocasionando a morte de 51 passageiros, informou dados incorretos ao DER (Departamento de Estradas de Rodagem) do Paraná ao solicitar a licença de fretamento.
No documento, a empresa Costa & Mar Turismo registrou que o trajeto seria feito por outro veículo, um Volvo de placas LZV-7929.
Segundo os dados repassados ao DER, seriam levados ao todo 33 passageiros de União da Vitória (PR) até Guaratuba, no litoral do Estado, às 23h30 da sexta-feira (13).
O ônibus que se acidentou, porém, tinha placas GVJ-0959, segundo informações da Polícia Civil de Joinville, transportava 59 pessoas e tinha como destino final Itapoá, no litoral catarinense, onde ocorreria um evento religioso realizado pelo grupo que fretou o veículo.
Segundo um coordenador da Fuca (Federação Umbanda, Candomblé e Angola) que pediu para não ser identificado, a Tenda de Umbanda Pai Xangô, de União da Vitória, faria uma homenagem a Iemanjá no último fim de semana. O terreiro era comandado por Conrado Schier Filho, um dos mortos no acidente.
O ônibus usado na viagem, porém, não tinha autorização para fazer viagens interestaduais, segundo informações da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).
O dono da empresa, Cérgio Antônio da Costa, que dirigia o ônibus, também morreu na tragédia. A reportagem ligou para o número de celular da empresa e foi atendida por uma mulher que se identificou como Maria, mulher de Cérgio. Ela afirmou que o ônibus usado na viagem tinha capacidade para 51 pessoas.
Ao ser questionada se o veículo estava superlotado, a ligação caiu. A reportagem ligou novamente, e outra mulher, identificando-se como amiga da viúva de Cérgio, atendeu o telefone e disse que ela não estava mais próxima ao telefone e que não poderia falar.
Saído de União da Vitória, o ônibus viajou por estradas de Santa Catarina antes de se acidentar na serra Dona Francisca, próxima a Joinville. A região tem via com curvas fechadas.
A tragédia, que deixou 51 mortos e oito feridos, é considerada o mais grave acidente das estradas catarinenses.
Dos oito feridos, seis continuavam internados até a noite desta segunda, sendo três deles em estado grave.
O delegado Brasil Guarani Mendonça Ferreira dos Santos, de Joinville, afirmou que um dos sobreviventes ouvidos pela polícia disse que o ônibus aparentava ter perdido o freio e que não viajava em alta velocidade.
Segundo o delegado, um inquérito foi aberto para apurar as causas do acidente. Ele afirmou que pediu uma perícia mecânica para saber se houve falha mecânica ou humana e não soube dizer quem responderá pelas ilegalidades no ônibus, já que as investigações estão no início.
