Após quatro dias, garis continuam em greve no Rio
BRUNA FANTTI
RIO DE JANEIRO, RJ - A comissão de grevistas dos garis não aceitou uma trégua na greve proposta pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), na tarde desta segunda-feira (16). A proposta foi feita pelo órgão para que as negociações do aumento salarial com a Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana do Rio) fossem retomadas.
Os garis, representados pelo Sindicato dos Empregados das Empresas de Asseio e Conservação, estão em greve desde a última quinta-feira (12), após uma assembleia realizada com cerca de mil trabalhadores.
A categoria é composta por cerca de 24 mil profissionais. Eles prestam serviços de limpeza urbana, poda de árvores, preparação de alimentos em colégios e atividade administrativa.
A Comlurb não enviou representantes para a reunião e afirma que somente 50% do efetivo operacional para limpeza e coleta têm saído às ruas para realizar os serviços. A determinação da Justiça do Trabalho era de que o sindicato mantivesse 75% dos trabalhadores na ativa. Com isso, os bairros de Madureira, na zona norte, e os de Campo Grande e Santa Cruz, na zona oeste, são os mais prejudicados com a falta de recolhimento do lixo.
Ainda segundo a companhia de limpeza, os grevistas estão impedindo a entrada de garis em algumas de suas agências. Os piquetes estão acontecendo nas gerências da Comlurb, estações de metrô e locais de saída de caminhões. Já foram registrados Boletins de Ocorrência. A DRCI (Delegacia de Repressão a Crimes de Informática) também está investigando a incitação à violência e o planejamento dos ataques pelas redes sociais.
A proposta dos grevistas, apresentada na primeira rodada de negociações, reivindica aumento de 40% no piso salarial, além do aumento do vale-refeição de R$ 20 para R$ 27 por dia. Já a Comlurb começou oferecendo apenas o dissídio da categoria, de 3%, alegando no ano passado houve um aumento de 44% na remuneração, além de incrementos nos benefícios.
Segundo o vice-presidente do sindicato, Antônio Carlos da Silva, uma próxima reunião foi marcada para quarta-feira (18) com representantes do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). De acordo com Silva, não há atos de violência ou intimidações, somente convites para a adesão da greve.
"A gente envia representantes nossos para as agências, para falar sobre os direitos que possuem, que eles não serão demitidos nem perderão dias de trabalho se aderirem à greve. Não há intimidação", afirmou à Folha.
Ainda segundo Silva, o sindicato orienta aos trabalhadores a manter o efetivo de 75% de garis trabalhando, mas não pode certificar se a porcentagem está sendo cumprida.
Em relação aos Agentes de Preparação de Alimentos (APAs), o representante da categoria afirmou que o serviço também está sendo prejudicado. "São 1.200 APAs atuando nas escolas. Eles também são representados pelo sindicato e estão em greve. Não sei quanto aderiram, mas sei que o serviço está prejudicado, infelizmente".
A rede municipal de ensino carioca possui cerca de 1.500 creches e escolas, atendendo a 675 mil alunos.
