Garis em greve fazem passeata por aumento salarial no Rio
DIANA BRITO
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Cerca de 200 garis protestaram por reajuste salarial, durante toda a sexta-feira (13), no Rio de Janeiro. Entre as exigências dos trabalhadores, em greve desde a noite de quinta (12), estava o aumento de 40% no piso salarial.
Os trabalhadores partiram do sindicato da categoria, na Tijuca (zona norte), no final da manhã de sexta, passaram pela prefeitura, percorreram a avenida Presidente Vargas, principal via do centro da cidade, e terminaram o dia em frente ao Tribunal Regional do Trabalho. Não houve tumulto.
A categoria rejeita proposta de reajuste salarial anual de 3%, abaixo da inflação. Eles também pedem 40% de acréscimo no adicional de insalubridade de ao menos 440 vigias, auxiliares de serviços gerais e agentes de preparo de alimentos [que trabalham em escolas públicas], além de aumento de vale alimentação para todos os funcionários de R$ 20 para R$ 27 por dia.
Segundo o sindicato da categoria, do total de 15 mil garis da cidade, ao menos 5.000 aderiram a greve. A Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana do Rio), no entanto, não informou o número de funcionários que entraram em paralisação.
No fim da tarde de sexta, caminhões da Comlurb eram escoltados por policiais militares para evitar represálias de ativistas. De acordo com a empresa, a categoria ganhou 44% de aumento em remuneração e benefícios, no ano passado, após greve no período do Carnaval. O salário base do gari passou de R$ 802, 53 para R$ 1.100.
O vice-presidente do Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Rio, Antônio Carlos da Silva, destacou, no entanto, que apenas os funcionários com os salários mais baixos da Comlurb receberam aumento no último ano. "Queremos aumento de 40% para todos os salários", disse.
Na noite desta sexta, representantes do sindicato dos garis e da Comlurb ainda discutiam um acordo no Tribunal Regional do Trabalho.
Em nota, a Comlurb afirmou que a Justiça do Trabalho ordenou, em liminar na madrugada de sexta, retorno imediato dos garis ao trabalho alegando que a greve é ilegal por não ter sido notificada com 72 horas de antecedência. Caso não seja cumprida a determinação, o sindicato será multado em R$ 100 mil por dia de paralisação.
CONFORTO FISCAL
Ainda nesta sexta, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), afirmou que está aberto a negociações para reajustar o salário dos garis. Ele disse, contudo, que o município não vive uma situação de "conforto fiscal" e que, neste período de crise econômica, "trabalhadores do Brasil estão negociando para não serem demitidos".
"Estamos num momento de crise no Brasil. A maioria dos trabalhadores do Brasil estão negociando para não serem demitidos. Estamos dando aumento todo ano. Se eu chegar lá no Comperj [Complexo Petroquímico do Rio], montar uma barraquinha e disser: 'Preciso de garis emergenciais no Rio'. Vou trazer 18 mil garis para cá para ajudar", disse Paes, após o anúncio de construção de um empreendimento residencial de luxo na zona portuária.
