Tensão cresce em Ferguson após dois policiais serem baleados
GIULIANA VALLONE
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - A tensão entre a polícia e a população na cidade de Ferguson, no Estado americano do Missouri, aumentou na madrugada desta quinta-feira (12) depois que dois policiais foram baleados durante uma manifestação até então pacífica.
Um dos agentes, de 32 anos, foi atingido no rosto e ficou com a bala alojada no crânio. O outro, um policial de Saint Louis de 41 anos, foi baleado no ombro. Os dois receberam alta na manhã desta quinta.
"Tivemos muita sorte que, pela graça de Deus, não perdemos dois agentes na noite passada", disse o chefe do Departamento de Polícia de Saint Louis, Jon Belmar, em entrevista.
De acordo com ele, os policiais foram baleados apenas por fazer parte das forças de segurança. "Foi uma emboscada."
No Twitter, o presidente Barack Obama afirmou: "A violência contra a polícia é inaceitável. O caminho para a justiça temos de percorrer juntos."
Os policiais feridos faziam parte de um grupo de agentes que tentava bloquear o prédio da polícia de Ferguson durante manifestação que comemorava a renúncia do chefe do departamento, Thomas Jackson.
Jackson foi a terceira autoridade a deixar o cargo na cidade nos últimos dias, depois que um relatório do Departamento de Justiça apontou uma cultura de discriminação racial em Ferguson.
O estudo foi encomendado após Darren Wilson, um policial branco, matar a tiros o jovem negro Michael Brown, 18, em agosto do ano passado. O episódio e a posterior decisão de um júri local de não indiciar Wilson geraram violentos protestos na cidade.
Antes do chefe de polícia, renunciaram o administrador da cidade, John Shaw, e o juiz municipal, Ronald J. Brockmeyer.
Nesta quinta, Belmar afirmou que a população tem o direito de protestar pacificamente, mas que há "uma infeliz associação" entre a manifestação e o incidente.
Logo após os policiais serem baleados, houve acirramento das tensões no local e muitos manifestantes tentaram deixar claro que não tiveram relação com o ocorrido.
A família de Michael Brown denunciou, em comunicado, o que chamou de "ações de agitadores agindo por conta própria" que tentaram deslegitimar os protestos.
"Nós rejeitamos qualquer tipo de violência contra membros da polícia", dizia o texto. "Isso não pode e não será tolerado."
Durante a manhã, membros da Swat cercaram uma casa a alguns quarteirões do local e alguns agentes chegaram a subir no telhado para conseguir acesso à residência.
De acordo com a polícia, algumas pessoas foram levadas à delegacia para prestar depoimento, mas ninguém foi preso.
