Multinacional diz ter vencido disputa por fábricas exproriadas na Venezuela
SAMY ADGHIRNI
CARACAS, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - A empresa americana Owens-Illinois, maior fabricante mundial de embalagens de vidro, anunciou nesta quinta-feira ter vencido uma disputa com a Venezuela no órgão do Banco Mundial para litígios comerciais.
A Owen-Illinois disse que, de acordo com decisão do Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (CIADI), a Venezuela deverá pagar US$ 455 milhões (R$ 1,415 bilhão) por ter expropriado duas instalações da empresa no país, em 2010.
"Se a Venezuela não cumprir com suas obrigações, [buscaremos] executar a sentença contra ativos da Venezuela pelo mundo", disse a companhia.
Do valor total, US$ 327 milhões (R$ 1,016 bilhão) correspondem a indenizações e outros US$ 84 milhões (R$ 261,24 milhões) a juros e gastos jurídicos.
A expropriação das duas fábricas havia sido ordenada então presidente Hugo Chávez (1999-2013) sob pretexto de que a empresa explorava trabalhadores e causava problemas ambientais. A Owen-Illinois atuava na Venezuela desde a década de 1950.
O governo venezuelano ainda ainda não se pronunciou sobre o caso, que agrava ainda mais a situação de suas finanças públicas.
Assolada por déficit fiscal, inflação e desabastecimento, a Venezuela tem bilhões de dólares a reembolsar em títulos da dívida. O país também deve bilhões à China.
O governo venezuelano, hoje comandado por Nicolás Maduro, enfrenta outros 26 processos no CIADI, a maioria envolvendo empresas afetadas pelas expropriações ordenadas por Chávez.
A recente queda abrupta do preço do petróleo, responsável por 96% da arrecadação de divisas por Caracas, gera dúvidas sobre a capacidade de pagamento do governo.
Economistas venezuelanos avaliam que o chavismo -projeto político esquerdista implantado por Chávez- erra ao confrontar multinacionais, já que o país precisa com urgência de investimentos estrangeiros.
