Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Geral
publicidade
GERAL

Universitários passam a madrugada na calçada para aderir ao Fies

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

NICOLAS IORY
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quem passava pela avenida Liberdade na madrugada desta quinta-feira (12) se espantava com o cordão de pessoas junto ao muro da FMU (Faculdade Metropolitanas Unidas), próximo à estação São Joaquim do metrô.
Ao menos 130 alunos da faculdade formavam uma fila no local por volta das 5h45 da madrugada para conseguir atendimento e resolver problemas com o cadastro no Fies (Programa de Financiamento Estudantil).
Os estudantes reclamam de dificuldades para fazer o aditamento (renovação) e efetivar novos cadastros no programa do governo federal.
Sentada na calçada forrada com folhas de seu caderno, a estudante de economia Rafaela Melo, 18, era a primeira da fila. Ela chegou ao local às 22h da noite anterior, após ter ficado sem atendimento nos dois dias anteriores, quando chegou às 8h, na terça, e às 5h, na quarta.
"Eu saí da aula ontem à noite e já fiquei por aqui. Daqui a pouco eu vou para o trabalho, depois volto para a aula e só depois vou descansar", disse Rafaela, que está no 1º semestre do curso de economia.
Apesar dos três dias seguidos enfrentando filas, a estudante, que mora em São Bernardo do Campo (Grande ABC), conseguiu nesta manhã, por volta das 8h30, receber apenas uma senha para ser atendida na terça-feira (17). Ainda assim, o atendimento será feito por ordem de chegada, o que deve render mais uma madrugada em frente à faculdade.
"Eles disseram que não precisa chegar antes, mas imagina esperar 200 pessoas para falar com alguém? Na próxima eu vou até trazer um cobertor, porque a gente passa muito frio e medo na rua."
ROTINA
As filas em frente à faculdade vêm se repetindo desde o início desta semana, já que a FMU concentra o serviço que atende todos seus estudantes com Fies apenas em uma unidade da instituição. Nesta terça (10),cerca de 40 estudantes chegaram a fazer um protesto bloqueando a avenida Liberdade por aproximadamente duas horas.
A estudante Carolina Liparelli, 28, integrou a fila, pouco antes das 3h da manhã, ao lado da mãe, Sandra Regina, 51. Ela está cursando o 3° semestre de psicologia e tenta -pela terceira vez- renovar seu contrato no Fies.
Moradoras do Campo Limpo (zona sul de SP), elas levaram cadeiras de praia para encarar a maratona na calçada. "Estou tomando um bronze lunar", brincou Carolina. "A faculdade diz que isso é uma situação excepcional, mas é mentira. Ano passado também foi a mesma fila."
"TOMADAS!"
Funcionários da FMU começaram a liberar a entrada dos alunos às 7h45 da manhã. Os estudantes que conseguiram senhas em dias anteriores foram encaminhados para dentro, enquanto os demais precisaram dar a volta no quarteirão para aguardar em um auditório.
"Olha, gente! Tomadas!", comemorou uma estudante ao chegar ao local. A maioria dos alunos já estava com a bateria do celular descarregada naquele momento.
Um dos coordenadores do serviço que atende os estudantes na FMU, identificado apenas como Denis, afirmou que a faculdade está atuando com efetivo 80% superior para satisfazer a todos. Mesmo assim, "devido à lentidão no sistema do Fies", a atual capacidade de atendimento da faculdade equivale à metade do praticado em anos anteriores.
Para uma plateia enfurecida, que reclamava muito do atendimento da instituição, Denis explicou que todos iriam receber uma senha para serem atendidos na terça-feira (17) e que a demora em efetivar o contrato com o Fies não trará prejuízos financeiros a ninguém.
É o que espera a estudante de odontologia Gessyca Lopes, 21, que já recebeu uma mensagem da faculdade no celular cobrando o pagamento de duas mensalidades.
O Fies, operado pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), tem cerca de 1,85 milhão de alunos inscritos. O estudante que adere ao programa tem a mensalidade bancada pelo governo em instituição privada. O valor é restituído à União após a formatura.
Sem anúncio oficial, o governo federal tornou as regras para financiar a mensalidade dos alunos mais duras, neste ano. As instituições de ensino dizem que foram fixadas medidas como teto para mensalidades, além de dificultar a inscrição em cursos sem nota 5 na avaliação federal (de 1 a 5).

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Geral

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV