Líder supremo do Irã critica carta de republicanos sobre acordo nuclear
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, criticou nesta quinta-feira (12) a carta de senadores republicanos americanos dizendo que poderão barrar o acordo com os Estados Unidos e outras potências sobre o programa nuclear da República Islâmica.
Em nota divulgada pela agência de notícias Mehr, Khamenei afirma se preocupar com a possibilidade de o pacto ser frustrado. "Porque o outro lado [EUA] é conhecido por sua opacidade, capacidade de enganar e de apunhalar os outros pelas costas".
As declarações foram feitas pelo líder supremo após uma reunião entre o presidente iraniano, Hasan Rowhani, e um conselho superior de clérigos. O líder supremo criticou também um suposto endurecimento do discurso americano contra seu país.
"Todas as vezes que chegamos a um estágio próximo do fim das negociações, o tom do outro lado, especificamente dos EUA, torna-se mais áspero, rude e duro. Esta é a natureza de suas armadilhas e enganos."
Na carta, os republicanos afirmam que qualquer acordo internacional requer a aprovação de dois terços do Senado. Caso contrário, só terá valor como um acordo do Executivo, que poderá ser derrubado após a saída de Obama.
"O próximo presidente poderia revogar esse acordo do Executivo com uma canetada e legislaturas futuras poderão modificar seus termos a qualquer momento", dizem os senadores na carta.
Os adversários de Obama afirmam que um acordo seria insuficiente e ineficaz para impedir que a República Islâmica tenha uma bomba atômica e já propuseram desde o endurecimento de sanções até uma declaração de guerra contra os iranianos.
ISRAEL
No mesmo discurso, Khamenei chamou de "risíveis" as acusações de envolvimento do Irã com o terrorismo e criticou também o discurso do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que se pronunciou contra o acordo com Teerã.
O discurso, feito na semana passada no Congresso americano, provocou mal estar entre Netanyahu e a Casa Branca e foi a primeira tentativa dos republicanos de desautorizar Obama em sua política externa desde novembro.
O presidente ironizou a postura dos rivais. "Acho que é um pouco irônico que alguns parlamentares queiram se juntar à mesma causa da linha dura iraniana. É uma coalizão incomum", disse.
