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Dois agentes ficam gravemente feridos em ato contra a polícia em Ferguson

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dois policiais ficaram gravemente feridos na madrugada desta quinta-feira (12) após serem baleados por atiradores ainda não identificados durante um protesto na cidade de Ferguson, no Estado do Missouri.
A manifestação ocorreu após a renúncia do chefe da polícia local, Thomas Jackson, depois do informe do Departamento de Justiça americano que apontou práticas discriminatórias contra negros por parte dos agentes e das autoridades.
O documento foi uma resposta à convulsão social criada após a morte do jovem negro Michael Brown, 18, baleado pelo policial branco Darren Wilson, 27, durante uma abordagem em agosto. Um júri local decidiu não indiciar Wilson pelo crime.
Segundo o chefe de polícia do condado de St. Louis, Jon Belmar, as vítimas são um policial lotado em Ferguson de 41 anos, ferido no ombro, e mais um agente da cidade vizinha de Webster Groves de 32 anos, que recebeu um tiro no rosto.
Eles faziam parte da força de cerca de 20 agentes destinada a conter cerca de 70 manifestantes, que se reuniram na sede da polícia de Ferguson no início da noite para protestar contra a corporação.
O protesto seguia pacífico até que, por volta da 0h (2h em Brasília), foram disparados três tiros em direção aos policiais. Ao mesmo tempo, parte dos manifestantes ficou assustada e deixou o local, alguns deles gritando.
Belmar diz que os atiradores estavam em meio a um grupo de manifestantes que xingava os policiais, embora não tenha certeza de que os autores do crime protestavam. "Não sei exatamente quem atirou, mas era alguém daquele grupo".
Manifestantes, porém, negam a versão. "O atirador não estava com os manifestantes, mas em cima de um morro. Vi o policial cair. O tiro veio de pelo menos 150 metros de distância dos policiais", disse o ativista DeRay McKesson no Twitter.
Outras testemunhas também afirmam que o tiro veio de um conjunto de casas do outro lado da Florissant Road, onde ocorreu o protesto. A polícia chegou a fazer buscas no local, mas ninguém foi preso. Antes do ataque às forças, duas pessoas haviam sido detidas.
RENÚNCIAS
A saída de Thomas Jackson do comando da polícia de Ferguson era uma das demandas dos manifestantes desde a morte de Michael Brown e é a terceira após a divulgação do informe do Departamento de Justiça.
Antes dele, renunciaram o administrador da cidade, John Shaw, e o juiz municipal, Ronald J. Brockmeyer, ambos acusados de conduta discriminatória contra negros, que compõem 69% da população de Ferguson.
Diante das denúncias, a Suprema Corte do Estado do Missouri decidiu transferir na segunda (9) as ações judiciais do Tribunal de Ferguson para a esfera estadual para que haja uma reforma, a fim de recuperar a confiança da população na corte.
Na semana passada, o secretário de Justiça americano, Eric Holder, disse que seu departamento usará sua autoridade para reformar a polícia de Ferguson e não descartou dissolvê-la se for necessário.

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