Beltrame avisa a empresários que crise fará violência aumentar
FELIPE DE OLIVEIRA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou nesta terça-feira (10) que a crise financeira enfrentada pelo governo federal, estadual e municipal pode gerar um aumento no índice de violência nas ruas. A declaração ocorreu durante a realização do Fórum Empresarial de Defesa e Segurança do Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), no centro da cidade.
"Temo a crise que se avizinha, que vá se refletir nas ruas. Deixa chegar a conta de luz, de água, vir o impacto do preço do óleo diesel, da gasolina, e o desemprego aumentar. O pior é que ainda vão reclamar da segurança, dizendo que está tudo ruim. Mas já estou avisando hoje que isso irá ocorrer" afirmou Beltrame a empresários.
Sobre o índice de violência nas ruas, o secretário, que está no cargo há mais de oito anos, também criticou a falta de políticas públicas para auxiliar o combate de crimes cometidos por menores. Segundo ele, ainda não há uma política eficaz para a solução do problema.
"Estamos enxugando gelo. Por dia a polícia apreende cerca de 20 menores. Somente no feriado de Zumbi, foram 123 crianças. Dessas, apenas cinco foram buscadas pelos pais. Temos que discutir isso, pensar como ela foi parar no crime. Não adianta só reclamar quando roubarem o cordãozinho de ouro da madame e dizer que não há polícia. Precisamos solucionar na origem."
Beltrame também afirmou que o grupo especial criado para combater o tráfico de armas no Estado irá começar as atividades ainda em março. A equipe vai contar com 30 agentes federais, policiais militares e civis que atuarão com objetivo de combater a entrada de armas no Rio. Somente nos dois primeiros meses de 2015, 89 fuzis foram apreendidos no Estado.
"A maioria desses fuzis foram apreendidos em áreas que ainda não possuem Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Para reduzir a entrada dessas armas, o grupo já foi selecionado e após um treinamento que será realizado em Brasília começarão a atuar nesses crimes transnacionais".
Ele disse ainda que sua meta é reduzir a violência a parâmetros aceitáveis.
"A situação do Rio está mudando. Quando assumi [em 2007], ouvia os tiros do morro da Providência e Mineira, sentado no meu gabinete, e pensava como alguém poderia ficar aqui tomando tiro nas costas. Sabemos que nunca resolveremos o problema da violência, mas estamos tentando deixar em um parâmetro aceitável".
Durante o fórum realizado na sede da Firjan, além do secretário de segurança, também estiveram presentes o chefe da Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso; o delegado Anderson Bechara, coordenador regional adjunto da Polícia Federal para grandes eventos; general Enzo Peri, e a ex-chefe de Polícia Civil do estado, Martha Rocha.
