Policial mata a tiros homem negro desarmado em condomínio de Atlanta
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um policial matou com dois tiros um homem negro aparentemente com transtornos mentais que corria nu em um condomínio de Chamblee, subúrbio de Atlanta, na tarde desta segunda (9), em mais um incidente de violência policial contra negros.
Segundo o diretor de segurança pública do condado de DeKalb, Cedric Alexander, moradores do prédio ligaram para a polícia e relataram ter visto "um homem que atuava de forma desordenada, batendo portas e gritando enquanto estava nu".
Quando chegou ao local, o policial pediu que o homem parasse, mas, ao não ser atendido, sacou sua arma e disparou dois tiros no peito da vítima. O homem morreu na hora. A perícia não conseguiu encontrar a arma no local do crime.
Segundo Alexander, a arma de fogo foi usada apesar de o agente ter disponíveis uma bomba de efeito moral e um spray de pimenta, que poderiam conter o homem desarmado. O policial, cujo nome não foi divulgado, foi afastado do serviço de rua.
Em entrevista coletiva, o chefe da polícia local afirmou que a abordagem foi incorreta e que o policial deveria ter pensado que a vítima tinha algum tipo de transtorno mental. O autor do homicídio ainda não se pronunciou sobre o caso.
A família também ainda não comentou o crime. A morte acontece três dias depois da morte do jovem negro Tony Robinson, 19, em Madison, no Estado de Wisconsin. Ele foi baleado quatro vezes por um policial branco.
PROTESTOS
Em 2014, as mortes de homens negros desarmados e as consequentes absolvições dos policiais autores dos delitos deflagraram uma série de manifestações contra o uso excessivo da força por parte de policiais.
Em julho, o camelô de cigarros contrabandeados Eric Garner, 43, foi morto por um policial no Brooklyn, em Nova York, que lhe deu uma gravata em uma abordagem. Um júri decidiu em novembro não indiciar o agente responsável, David Pantaleo.
Mesmo destino teve o policial Darren Wilson, que matou a tiros o jovem Michael Brown, 18, em Ferguson, no Missouri, mo mês de agosto. Os protestos da cidade foram violentos e terminaram com saques e confrontos com a polícia.
Na época em que os dois policiais dos casos Ferguson e Brooklyn tiveram as acusações retiradas, os policiais de Cleveland, em Ohio, mataram Tamir Rice, 12, que brincava em um parque da cidade com uma arma de brinquedo.
No último sábado (7), o presidente Barack Obama disse que as mortes de cidadãos negros desarmados por policiais no país são um exemplo de que o racismo ainda resiste.
"Não precisamos do documento sobre Ferguson para dizer que isso não é verdade", disse, fazendo referência ao informe em que o Departamento de Justiça denuncia a discriminação racial da polícia da cidade do Missouri.
