Trote e humilhação a calouro são tradições ultrapassadas, diz reitor da USP
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O reitor da USP, Marco Antonio Zago, afirmou nesta quarta-feira (4) que trote e humilhação dos calouros são "tradições ultrapassadas" e "não fazem parte da vida de uma universidade moderna". A afirmação foi feita em um vídeo feito para dar boas-vindas aos alunos de graduação pelo início do período letivo.
Em uma gravação de mais de seis minutos, Zago condena os trotes violentos, "o desrespeito à diversidade de gênero e identidade" e afirma que as "festas com consumo de grande quantidade de álcool e outros estimulantes não fazem parte da vida acadêmica sadia".
Ele também falou sobre as denúncias de abusos e desrespeito aos direitos humanos dentro da universidade e afirmou ter "convicção de que isso obriga a repensar políticas e práticas educativas e a promover um trabalho de reconstrução".
"No final de 2014, surgiram denúncias públicas sobre desrespeito a direitos humanos na USP, sobre fatos ocorridos no passado, em alguns casos, há mais de dez anos. (...) Procuramos tomar medidas práticas para corrigir e prevenir que fatos como os relatados não se repitam no futuro", afirmou o reitor no vídeo.
As denúncias de abuso levaram à criação de uma CPI na Assembleia Legislativa, que teve como principal alvo das investigações da FMUSP (Faculdade de Medicina da USP). O relatório da comissão pediu a responsabilização civil e penal de envolvidos em estupros, trotes violentos, racismo e homofobia nas universidades paulistas.
Além do inquérito policial, que investigará criminalmente os envolvidos nos casos denunciados na comissão, a CPI indicou abertura de inquérito civil ao Ministério Público Federal e do Estado, com o objetivo de investigar falhas administrativas praticadas pelas universidades em face às denúncias.
Com as denúncias, o reitor da USP pediu, em janeiro, que os diretores da universidade reabram sindicâncias de suspeitas antigas de estupro. No final do ano passado, ele também anunciou que a Comissão de Direitos Humanos, recém-criada na universidade, vai coordenar as investigações.
Zago também disse, nesta quarta, que 2015 será um ano de mudanças na universidade. Ele citou o debate sobre o estatuto da USP, o aprimoramento didático dos professores e aumento do conteúdo digital dos cursos, revisão da carreira docente e seus regimes de trabalho, implantação de modificações de currículos e disciplinas, e a ênfase na comunicação em língua estrangeira.
