Casos de dengue aumentam 163% em SP
MONIQUE OLIVEIRA
SÃO PAULO, SP - Em tendência de forte alta em relação ao ano passado, a dengue já atingiu 563 pessoas nas seis primeiras semanas deste ano em São Paulo, ante 214 em relação ao mesmo período do ano passado.
O aumento é de 163%, segundo boletim divulgado nesta quinta-feira (26) pela Secretária Municipal da Saúde. Se comparadas as quatro primeiras semanas de 2014 e 2015,o incremento é ainda maior, de 171%.
A secretaria registra, ainda, quatro casos da febre chikungunya, doença viral semelhante à dengue, no município. Os casos, entretanto, são "importados" e vieram principalmente, da América Central.
A morte de uma idosa na Brasilândia (zona norte) está sendo investigada. A região continua amargando a maior incidência de casos no município. A Brasilândia registrou 80 casos, Jaraguá (92) e Limão (42) nas seis primeiras semanas.
As quatro primeiras semanas do ano já indicavam a alta. Foram 4,9 casos para cada 100 mil habitantes na zona norte, seguidas pelas zonas oeste (2,2), sul (1,9) e leste (0,6).
FALTA DE CARROS
A Folha de S.Paulo divulgou há duas semanas que havia falta de carros na região norte para o transporte dos agentes de combate ao Aedes aegypti, vetor da dengue, mas a prefeitura minimizou o problema nesta quinta (26).
"Os agentes gostam de falar o que não sabem direito", disse Paulo Puccini, secretário adjunto da saúde. "Há 300 carros disponíveis da Covisa [Coordenação de Vigilância em Saúde]."
Os carros atendem, no entanto, todo o município de São Paulo e a região continua desassistida, segundo agentes. A prefeitura, no entanto, credita o aumento na região à falta de água, que teria contribuído para acúmulo de água limpa sem proteção.
EXPLICAÇÕES
Já para explicar o aumento de casos em todo o município, a secretaria apresentou os argumentos clássicos atrelados à características da doença, como a chegada do verão, as altas temperaturas, a incidência em surtos a cada 3 anos e a entrada de novos tipos de vírus.
O infectologista Marcos Boulos, professor da Faculdade de Medicina da USP, no entanto, diz que a situação da dengue em São Paulo já é endêmica e ocorre todos os anos, o ano inteiro.
"A dengue não é mais sazonal. No ano passado, houve incidência o ano inteiro", explica.
Em relação ao aumento em 2015, o infectologista diz que houve falha na prevenção. "O que se tem notado, principalmente em municípios com poucos recursos, é um afrouxamento no combate do mosquito antes do verão."
