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Relatório do TCU mostra que 44% das escolas no DF precisam de reparos

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SÃO PAULO, SP - Relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) aponta que 44% das escolas no Distrito Federal precisam de pequenos reparos, 31% estão em condições ruins e 6% estão em péssimas condições, a maioria delas, no campo. As informações são da Agência Brasil.
Os dados fazem parte de um estudo que avaliou em 2014 as instalações físicas das escolas públicas e os problemas relacionados à manutenção e reforma. O relatório com o diagnóstico da educação no Distrito Federal foi divulgado no final do ano passado.
O Distrito Federal tem, atualmente, 75 escolas rurais, 12 só em Brazlândia. A principal característica das escolas no campo é que elas são pequenas, com poucos professores. Em muitas delas, o mesmo profissional exerce atividades de diretor e dá aulas para diferentes séries.
Na última segunda-feira (23), os professores da rede pública do Distrito Federal decidiram fazer uma paralisação até sexta-feira (27) contra o atraso de benefícios como abono de férias e décimo terceiro. Segundo o governo do DF, a paralisação afeta 470 mil alunos.
ESCOLA CLASSE INCRA 7
Uma quadra de esportes com cobertura, mas sem piso. No parquinho, o balanço só tem as traves. A gangorra está quebrada e o escorregador, enferrujado. Em volta, o mato está alto. As poucas salas de aula são pequenas e mal ventiladas. Algumas têm até buracos no chão. São cinco salas e dois banheiros para 94 alunos.
Essa é a Escola Classe Incra 7, em Brazlândia, unidade rural que fica a cerca de 35 quilômetros da região central de Brasília. O ensino era integral até o ano passado, mas o sistema parou de funcionar por falta de infraestrutura.
Segundo a diretora, Cristiane Milani, a unidade não está na lista das que vão receber uma reforma este ano. "A gente saiu da educação integral de dez horas, que é um ganho pedagógico maravilhoso, porque a estrutura física nos limitou. Ninguém soube explicar o motivo de não termos sido contemplados, nem a própria regional de ensino. Temos uma sala com um buraco de 30 cm de comprimento, já com determinada profundidade, então a gente não consegue entender o porquê de nossa escola não ter sido atendida."
Lucas Braga, 6, é neto da aposentada Lurdes Braga e estuda na Escola Classe Incra 7. A avó conta que admira o trabalho dos professores, mas reconhece que o local precisa de uma série de reparos. "Eles separam um dia no mês para a família, eu achei isso muito bom, entrosa as crianças. Mas eu acho que poderia fazer mais concreto, para as crianças não ficarem pisando na terra, e melhorar a pintura, que está muito feia."
Na Escola Classe Incra 7 os utensílios da cozinha são guardados no chão, embaixo da pia, porque não há armários. Além disso, as crianças são obrigadas a comer o mesmo tipo de alimento por vários dias, porque a comida que chega não é diversificada. O aluno Lucas disse que, às vezes, enjoa da merenda. "Eu não gosto muito, queria que tivesse mais macarrão e salsicha", comentou o menino.
Atualmente, a escola tem cinco professores, mas precisa de mais quatro. Segundo o diretor de Imprensa do Sindicato dos Professores do DF, Samuel Fernandes, a carência de profissionais em toda a rede pública de ensino é muito maior do que os números apresentados pelo governo.
"Hoje, a Secretaria de Educação alega que há um deficit de cerca de 3,5 mil professores, mas a carência de efetivos e temporários na rede é bem maior. Falta uma movimentação do governo para contratar", disse Fernandes.
Segundo o governo do DF, 3.500 professores foram contratados temporariamente na rede pública em janeiro. A estimativa é que sejam necessários mais 3.000 ao longo do ano para suprir as vagas de futuras licenças.

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