Com trégua em risco, rebeldes reclamam cidade estratégica
SÃO PAULO, SP - Eduard Basurin, líder das tropas rebeldes no leste da Ucrânia, disse nesta terça-feira (17) que os separatistas pró-russos controlam mais de 80% da cidade de Debaltseve, que se tornou o principal palco da longa disputa de território entre Ucrânia e Rússia desde o final de semana.
Debaltseve tem importância estratégica porque é um entroncamento ferroviário a meio caminho entre as cidades de Donetsk e Lugansk, que concentravam as forças pró-russas.
Ao vencer o prazo pactuado para que rebeldes pró-russos e Exército iniciassem o desarmamento na região conflagrada do leste da Ucrânia, o cessar-fogo pactuado com líderes europeus na quinta-feira (12) parece estar por um fio.
Em algumas áreas da frente de batalha, os rebeldes afirmam já ter começado a retirar o armamento mais pesado. O governo ucraniano, porém, exige um cessar-fogo completo antes de começar a retirar as suas armas.
Segundo comunicado de Basurin, o comando rebelde "continua a expulsar o Exército ucraniano" de Debaltseve. Antes, outro comandante rebelde, Vladimir Kononov, disse em entrevista à TV russa que "a única opção [do Exército] é deixar para trás seus armamentos, depor as armas e se render".
De sua parte, o governo ucraniano reconheceu que vários soldados foram emboscados e tomados como prisioneiros, mas insiste que não perdeu o controle da cidade. O número de soldados feitos prisioneiros não foi divulgado. Nota do ministério da Defesa reconhece que parte da cidade foi tomada.
O gabinete presidencial da Ucrânia divulgou nota, nesta terça, pedindo que a União Europeia e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) condenem os rebeldes pró-russos por violarem o cessar-fogo negociado com líderes europeus na semana passada.
A guerra no leste da Ucrânia já deixou mais de 5.600 mortos e mais de um milhão de desalojados, informaram nesta segunda-feira (16) as Nações Unidas. A região industrial do país ficou em ruínas.
