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Ucrânia tem dia de paz tensa no início do cessar-fogo

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SÃO PAULO, SP - O cessar-fogo que passou a vigorar neste domingo (15) entre Rússia e Ucrânia é considerado um sucesso pelos observadores, mas ainda há relatos de bombardeios na fronteira entre os dois países. Além disso, dois civis foram mortos logo após a meia-noite deste domingo, prazo acordado para o início da trégua, na cidade de Popasne, na região de Lugansk.
Em comunicado enviado de Paris, o presidente François Hollande classificou o cessar-fogo como "altamente satisfatório, apesar de incidentes locais que devem ser rapidamente solucionados".
Na manhã de domingo, centenas de pessoas compravam no principal mercado de Donetsk, que tinha um milhão de habitantes antes do início dos combates em abril. Os frequentadores se dividiam entre o otimismo e o ceticismo. "De que trégua se pode falar quando ainda ontem estavam disparando no centro da cidade?", perguntou Svetlana, uma idosa que vendia flores.
Com o aumento da procura e a dificuldade do estoque, escasseiam as variedades de alimentos e até de marcas de cigarro disponíveis. As casas de câmbio amanheceram fechadas, e um funcionário de uma delas informou que seria por ordem dos rebeldes.
Confrontos
Os ruídos de combate remanescentes estão concentrados em Debaltseve, um entroncamento ferroviário a cerca de 15km a noroeste de Lugansk. Debaltseve liga por trem as principais cidades dominadas pelos separatistas, Donetsk e Lugansk. De acordo com um porta-voz do Exército ucraniano, dez bombardeios foram registrados, e nove ocorreram em Debaltseve.
De acordo com o Exército ucraniano, os combates acontecem entre gangues locais de cossacos, enquanto os separatistas dizem que os militares bombardeiam a cidade após a meia-noite, prazo acordado para o início do cessar-fogo.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirma ter imagens de satélite feitas no leste da Ucrânia sugerindo que os militares russos instalaram maiores quantidades de armamentos em torno de Debaltseve para atacar forças ucranianas.
A Rússia nega as acusações desde o início do confronto.
Nem os jornalistas e nem os observadores internacionais conseguem chegar até lá para avaliar a situação. Em Lugansk, soldados ucranianos proibiram que jornalistas da agência Associated Press avançassem. Em Donetsk, combatentes separatistas barraram os observadores da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), órgão da ONU encarregado de monitorar o cessar-fogo em comum acordo entre as partes em conflito.
Negociações
A trégua é o resultado de uma maratona diplomática na última semana, que reuniu no mesmo telefonema os líderes da Ucrânia, Rússia, Alemanha e França, na capital de Belarus. Caso dê certo, o cessar-fogo deverá ser o primeiro passo de um plano de paz para acabar com o conflito.
O progresso do acordo vem sendo monitorado por observadores da OSCE, que publica atualizações diárias sobre o conflito em seu site. Ertugrul Apakan, líder da missão, disse que 20 patrulhas acompanham o cessar-fogo.
Pelo plano, a partir desta segunda-feira (16) os rebeldes devem começar a retirar seus armamentos pesados da linha de frente, com prazo de duas semanas para a criação de uma zona livre de 50 a 140 km de largura.
O plano exige que a Ucrânia volte a pagar benefícios e pensões aos cidadãos que vivem em território rebelde. O bloqueio financeiro do governo aos rebeldes causou um colapso dos padrões de vida no leste da Ucrânia, privando os mais pobres de todo meio de sustento.

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