Dinamarca desconhece motivos para atentado; polícia mata suspeito
SÃO PAULO, SP - A polícia dinamarquesa acredita que o homem morto a tiros nesta madrugada é a mesma pessoa que atuou em dois tiroteios horas antes de Copenhague que deixou dois mortos e cinco feridos.
A polícia da Dinamarca já identificou o suposto autor dos ataques, uma pessoa que estava sob o radar dos serviços de inteligência, mas a identidade do homem ainda não foi divulgada.
"Não podemos dizer nada sobre o motivo. Mas, possivelmente, o homem agiu inspirado pelos ataques de Paris e os de organizações extremistas", disse em entrevista coletiva o chefe dos serviços de inteligência, Jens Madsen.
A primeira-ministra dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt, disse no sábado (14) que as autoridades ainda desconhecem as razões que levaram o indivíduo, morto esta manhã em Copenhague, a supostamente protagonizar dois tiroteios nas últimas horas.
"Nós não sabemos a razão para os atos do suspeito, mas sabemos que há forças que desejam o mal para países como a Dinamarca. Eles querem subjugar nossa liberdade de expressão ", disse Thorning-Schmidt em uma coletiva de imprensa na qual rejeitou que o incidente fosse uma guerra entre o Islã e o Ocidente.
Segundo o inspetor Joergen Skov, ainda não há evidências de que o suspeito tinha cúmplices. Ele afirmou também que a presença "maciça" de agentes no centro da capital dinamarquesa será mantida.
Segundo a hipótese policial, elaborada principalmente através de gravações de vídeo, o indivíduo abriu fogo contra um centro cultural onde acontecia um debate sobre blasfêmia e liberdade de expressão, um incidente em que uma pessoa morreu e três agentes ficaram feridos.
Dali, esse mesmo indivíduo tomou um táxi para um endereço no bairro de Noerrebro, onde um civil morreu em um ataque nos arredores de uma sinagoga.
O indivíduo --descrito como um jovem de entre 25 e 30 anos de "traços árabes"-- permaneceu cerca de 20 minutos nesse local, que foi descoberto graças à ajuda do taxista e do qual se dirigiu para o centro da capital, onde de madrugada matou um jovem judeu em frente a uma sinagoga e feriu dois agentes.
"Há várias coisas que indicam que foi isso que ocorreu, e nada aponta para outros envolvidos, mas isso é algo que vamos investigar com mais detalhe", disse Skov em um breve pronunciamento da polícia. As autoridades não ofereceram mais dados sobre a identidade ou os motivos do suspeito.
O primeiro ataque aconteceu por volta das 15h30 (12h30 de Brasília) de sábado em um centro cultural onde acontecia um debate sobre liberdade de expressão, com a presença do cartunista sueco Lars Vilks, que vive sob proteção policial desde que foi ameaçado por grupos islâmicos após ter retratado o profeta Maomé como um cachorro em uma charge em 2007.
Uma pessoa de 55 anos morreu e três agentes ficaram levemente feridos em um incidente que foi qualificado como um atentado terrorista pelas autoridades, que, no entanto, não confirmaram se Vilks era o alvo.
Já no ataque ocorrido de madrugada nos arredores da sinagoga de Copenhague, um jovem judeu, que fazia a segurança do templo enquanto acontecia um bar mitzváh em seu interior, morreu com um disparo na cabeça, segundo declarou ao canal "TV2 News" Dan Rosenberg Asmussen, porta-voz da Comunidade Judaica na Dinamarca.
O indivíduo não conseguiu entrar no interior do edifício, mas acabou ferindo dois policiais, que se encontram fora de perigo.
A polícia dinamarquesa abateu a tiros, por volta das 5h locais (2h de Brasília) de hoje o suposto autor dos atentados em um tiroteio no qual nenhum agente ficou ferido e depois que a estação central de trem e metrô o centro da cidade permaneceram isolados pelas forças de segurança durante horas.
APOIO
O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, enviou um telegrama à Thorning-Schmidt, na qual ele expressa suas "profundas condolências" para o ataque "covarde e cruel" na sinagoga de Copenhague.
"Diante do ato terrorista covarde e cruel cometido em Copenhague, eu quero fazer chegar a minha solidariedade e a de todo o povo espanhol. Eu peço que encaminhe as minhas sinceras condolências à família do falecido e meus votos de melhoras e de uma rápida recuperação aos feridos", disse ele.
No telegrama, Rajoy diz estar confiante de que as forças de segurança da Dinamarca possam prender todos os responsáveis por este ataque terrorista, e diz que o país pode contar com a "plena cooperação" das forças do governo e de segurança espanhol.
