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Bloco de travestidos faz 50 anos e vira tradição de família na Bahia

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JOÃO PEDRO PITOMBO
SALVADOR, BA - Um ?arrastão? de baianas de acarajé dançando pagode e rebolando até o chão, com famigeradas pistolas de plástico que esguicham água.
A cena quase dantesca é proporcionada pelo bloco de travestidos As Muquiranas, que neste ano chega a 50 Carnavais.
Uma tradição que passa de pai para filho, como no caso do pequeno Vitor Gabriel, 1.
Ele ainda vai ter que esperar outros 17 Carnavais para desfilar nas Muquiranas. Mas já fez sua estreia neste ano na concentração, vestido de ?baiana do acarajé?, tema do desfile.
?Esse aqui vai ser mais um fiel ao bloco?, disse o pai, Marcelo Freitas, 29, que desfila há oito anos no bloco de travestidos mais tradicional de Salvador.
Quando o bloco despontou na avenida, Vitor voltou para casa de táxi, junto com uma tia. Já o pai manteve a tradição e seguiu no arrastão dos travestidos puxados pela banda Harmonia do Samba.
TRIO ADAPTADO
Antes de o bloco entrar na avenida, centenas de associados das Muquiranas já se aglomeravam na concentração nas ruas próximas ao circuito.
O barbeiro Paulo Roberto Souza, 29, reuniu clientes e amigos do bairro da Federação e levou seu ?minitrio? -uma carroça com caixas de som rebocada por um carro- para uma rua no entorno do circuito oficial.
Cerca de 70 pessoas entraram no rateio do ?mini-bloco?: o trio adaptado custou cerca de R$ 2.000.
No grupo de amigos, não faltaram ?paus de selfie? e as pistolas de plástico, cujos esguichos de água invariavelmente vitimavam mulheres.
Mas, afinal, o que é que essa ?baiana? tem? A resposta veio na ponta da língua do vigilante Anderson Lima, 22.
De laço na cabeça e batom na boca, faz pose e afina a voz: ?A baiana tem é tudo de bom, meu bem!?
E a tarde de festa estava apenas começando.

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