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Em São Paulo, o 'Perua da madrugada'

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ROGÉRIO PAGNAN
SÃO PAULO, SP - Pai, mãe, tia, cunhado, empregada, cachorro, papagaio, sogra. Tudo mundo foi convocado para evitar uma estreia vexatória no Carnaval de 2003. Conseguiram reunir um total de 50 pessoas que, após os primeiros batuques, foi aumentando gradativamente.
Hoje, 12 anos depois, já como um dos maiores blocos carnavalesco de São Paulo, a Confraria do Pasmado tem planos mais ambiciosos: tornar-se o ?Galo da Madrugada? paulistano e, finalmente, adquirir a perua Kombi. ?Queremos abrir o Carnaval de rua de São Paulo?, diz o diretor Gustavo Mello.
O segundo passo desse plano foi dado na ?madrugada? deste sábado (14). Foi o segundo ano neste horário incomum e no bairro de Pinheiros (oeste).
O endereço anterior eram as ruas da Vila Madalena, bem pertinho dali, mas, como diz a música deste ano, ?nessa vida é preciso renovar?. ?A paixão passou, a rotina é cruel. Vem pra Pinheiros que a vida é celebrar?.
E povo foi. Tá certo que um público bem mais modesto do que as 30 mil pessoas estimadas do domingo anterior, menos de 1.000 foliões, mas a intenção era essa mesma. Um pegada diferente, ?uma coisa mais familiar?.
Por isso, mais do que casais de namorados e beberrões beijoqueiros, o mais comum era encontrar famílias com filhos, netos e um desfile de carrinhos de bebês. Fadinhas, borboletas e super-heróis também eram encontrados em grande quantidade.
?Iríamos viajar, mas decidimos ficar na cidade para curtir o Carnaval. Fugir um pouco desse trânsito do litoral?, disse o gerente de vendas Fabiano Suzuki, ao lado da mulher, Valéria, e de suas filhas, Manuela, 6, e Natália, 5. ?É o primeiro Carnaval delas?, disse sobre as filhas.
Também havia casais de namorados. Entre eles, estavam uns dos primeiros foliões a chegar ao endereço combinado para concentração, na rua Padre de Carvalho com a avenida Faria Lima. Por volta das 8h ?da madrugada?, já estava lá o casal João Paulo Suguiyama, 27, e Camila Bacarin, 26, que acordou às 6h para chegar a tempo. Ambos são arquitetos, integrantes da bateria dos Pasmado, e que seguiriam para o Rio de Janeiro no meio da tarde para continuar as comemorações sobre as graças do Rei Momo.
Poucos metros dali, numa padaria, os principais diretores da Confraria se preparavam com sucos e lanches. Os remanescentes dos 15 que tiveram a ideia de montar o bloco ainda em 2002, em frente ao Morro do Pasmado, no Rio.
O nome já estava explicado.
E a perua Kombi?
A Kombi ?imaginária? está nos planos do grupo para puxar o bloco. Mas, ainda não ocupa o topo de lista, mas vai chegar lá. Um desejo guardado para os próximos carnavais.
?Tô chegando aqui na Kombi
quero ver quem vai atrás
Confraria do Pasmado
Esse bloco tá demais
Muita gente já pasmou
Do desfile esqueceu
Muita gente se alembrou
e por aqui apareceu?

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