Carnaval é marcado por marchinhas e enredos de superação e magia em SP
GIBA BERGAMIM JR.
LEANDRO MACHADO
SÃO PAULO, SP - As marchinhas famosas de antigamente, muito frequentes nos blocos de Carnaval, ganharam o Sambódromo do Anhembi na primeira noite de desfiles.
Também houve samba que falava de tempestades de granizo, numa ironia involuntária de uma das escolas em meio à maior crise hídrica da história.
Assim foi a primeira noite de desfiles no Sambódromo do Anhembi.
Quinta escola a desfilar, a Rosas de Ouro entrou no Sambódromo do Anhembi falando de tempestades e empolgou a plateia com alegorias luxuosas.
O enredo que falava de superação, relembrava o desfile do ano passado, quando a escola passou pela avenida debaixo de chuva de granizo. Ao contrário do ano anterior, na madrugada de sábado não houve nenhuma gota.
Com uma ode ao antigos carnavais, a Acadêmicos do Tucuruvi apostou em carros com imagens de pierrôs e arlequins.
Na letra, várias referências aos famosos refrões de marchinhas, como "alah, meu bom alah", "se você pensa que cachaça é água" e "olha a cabeleira do Zezé". Foi o samba que mais empolgou as arquibancadas -que nessa primeira noite teve muitos espaços vazios.
As fantasias remetiam aos anos 1930, levando à avenida a era do rádio.
"Adrenalina" foi o enredo da Tom Maior, que encheu de cores a avenida. Com tinta. Dançarinos do carro abre -alas carregavam sprays com jatos coloridos, disparados para o ar.
A ideia do enredo era levar a plateia para momentos inesquecíveis, como o primeiro beijo ou o gol que consagra o atleta.
A Dragões da Real apostou no mundo da magia, levando à avenida um carro inspirado na biblioteca vista na sequência dos filmes Harry Potter.
Primeira escola a desfilar, a Mancha Verde comemorou o centenário do Palmeiras, clube paulistano que deu origem à escola.
A Águia de Ouro, penúltima escola do primeiro dia, levou o ex-jogador Zico para falar dos 120 anos do tratado de amizade entre Brasil e Japão.
O ídolo do Flamengo jogou em um clube japonês nos anos 90, com grande sucesso. O carro abre alas tinha bonecos gigantes de desenhos japoneses, os famosos mangás.
Muitos integrantes da escola eram de origem oriental.
Já com as arquibancadas bem mais vazias, a tradicional escola Nenê da Vila Matilde homenageou o país africano Moçambique. A agremiação entrou na avenida por volta das 6h, com o dia quase amanhecendo.
Mesmo com carros enormes, as alegorias e fantasias da escola da zona leste eram menos luxuosas que outras agremiações da noite, como Rosas e águia de ouro.
O destaque da escola foi o samba-enredo com rima fácil: "Bate o tambor do meu samba/ surdo, tátil, repique/ A vila hoje canta Moçambique."
