Ucrânia e separatistas chegam a acordo para trégua no leste do país
SÃO PAULO, SP - O governo da Ucrânia e os separatistas pró-Rússia chegaram nesta quinta-feira (12) a um acordo para o cessar-fogo nos combates no leste do país. A trégua está prevista para começar à 0h deste domingo (15) (19h de sábado (14) em Brasília).
O acordo foi selado após 15 horas de reuniões em Minsk, capital de Belarus, entre o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, e da Rússia, Vladimir Putin, além de representantes dos separatistas das regiões de Lugansk e Donetsk.
As negociações fazem parte de um esforço diplomático iniciado há uma semana pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo presidente francês, François Hollande, diante da escalada do conflito que deixou cerca de 5.300 mortos desde abril.
Em entrevista coletiva, Putin e Poroshenko informaram que os rebeldes e as autoridades de Kiev concordaram com a trégua e a retirada da artilharia pesada do leste do país, a ser iniciada dois dias após a trégua nos combates.
O mandatário ucraniano disse ainda que há um compromisso para que sejam retiradas todas as tropas estrangeiras do país. As autoridades de Kiev e os países ocidentais acusam a Rússia de enviar soldados para o conflito, o que Moscou nega.
Os dois lados ainda concordaram com a libertação nos próximos 19 dias de todos os capturados pelos separatistas durante o conflito, dentre eles a piloto Nadiya Savchenko, 33, cuja captura em junho provocou comoção na Ucrânia.
Poroshenko ainda afirmou ter sido determinado que a Ucrânia assumirá controle completo sobre a fronteira com a Rússia até o final deste ano. A aplicação do acordo será supervisionada em reuniões periódicas entre os dirigentes dos quatro países.
DIVERGÊNCIAS
Embora tenham concordado com o fim dos combates, ainda há temas a serem resolvidos pelo governo de Kiev e os rebeldes do leste ucraniano. Na entrevista, Putin afirmou que a negociação "terminou com acordo nos pontos principais".
Dentre as questões pendentes, está o status das regiões de Donetsk e Lugansk. O líder russo disse que a Ucrânia deveria fazer uma reforma constitucional para conceder mais autonomia à área conflagrada, defendida pelos separatistas.
O presidente ucraniano disse que não concordou nem com a autonomia à área nem com a federalização das duas regiões
Por outro lado, o presidente ucraniano descartou qualquer mudança na situação política das duas regiões e disse que "várias condições inaceitáveis" foram propostas ao lado ucraniano durante o diálogo.
"Não foi nada fácil chegar a um acordo. De fato, nos sugeriram várias condições inaceitáveis: concessões, retiradas. Mas não cedemos em relação ao ultimato e impusemos a postura de que o cessar-fogo deve ser estabelecido sem condições prévias."
Também foi criticada por Putin a insistência de Poroshenko de não dar detalhes sobre os enfrentamentos em Debaltseve, cidade controlada pelo governo e que há duas semanas enfrenta uma ofensiva dos separatistas.
