Após blocos, largo da Batata anoitece envolta em lixo
SÃO PAULO, SP - A noite do último domingo pré-Carnaval chegou e com ela o lixo. No largo da Batata, por exemplo, o lixo tomava conta das vias e canteiros de árvores. O rastro de sujeira também foi visto na região da Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.
Latas, garrafas, copos e bitucas de cigarro ficaram espalhados pelo bairro, que recebeu mais de dez blocos neste domingo (8). A quantidade de latas de lixo parece ter sido insuficiente. Ao longo da rua Harmonia, diversas lixeiras transbordavam.
A reportagem não encontrou garis no bairro ao longo do domingo.
BARULHO
Assim como o bairro da Vila Madalena, a região da Consolação e da rua Augusta vem sendo tomada por blocos festivos neste período de pré-carnaval.
Cercados de uma multidão de foliões e carros de som, os moradores reclamam da poluição sonora, que perdura até altas horas da madrugada, principalmente na praça Roosevelt, onde muitos blocos costumam se concentrar.
?O problema não é o número de pessoas, mas o barulho que eles fazem?, disse Ignez Capozzi, que mora no bairro. ?A região foi sempre boêmia, mas, no Carnaval, o ruído e sujeira tomam proporções maiores?.
?Isso não é alegria nem festa, é perturbação?, desabafou Adi Tonolli, residente da região. De acordo com ele, mesmo com a dispersão dos blocos, o excesso de ruído continua até as 4h ou 5h, impedindo o sono dos moradores. ?Já fizemos dezenas de reclamações, mas nenhuma viatura nos atendeu?.
De acordo com Marta Porta, presidente do Amacon (Associação dos Moradores e Amigos do Bairro da Consolação e Adjacências), à qual os moradores ouvidos também fazem parte, falta consideração e respeito por quem reside no bairro. ?Não somos contra a festa, mas o problema é que o bloco fica instalado aqui; eles poderiam só desfilar e depois seguir para o Anhangabaú ou o Sambódromo, por exemplo?, afirmou.
Também, os moradores defendem que estão sendo prejudicados com a falta de policiamento e fiscalização contra o excesso de ruído.
?O barulho acontece de segunda a segunda, com os bares e a movimentação na praça Roosevelt, onde ficam pessoas cantando e ?batucando´até de manhã. No entanto, ninguém quer a região vazia; só queremos que respeitem o horário de descanso de quem mora lá?, disse Porta.
(THAIS BILENKY E PAULA SAVIOLLI)
