Blocos agitam ruas da zona oeste com marchinhas e fantasias inusitadas
GABRIELY ARAUJO E THAIS BILENKY
SÃO PAULO, SP - Sambas tradicionais e canções de novos compositores integraram o repertório do Bloco do Ó, que atravessou ruas da Vila Madalena desde às 10h deste domingo (8).
Marchinhas como "Lata D?água" e "Bandeira Branca" eram alternadas por novas melodias do concurso do Bloco, que foi criado em 2005 pela casa de shows Ó do Borogodó. O percurso dos foliões começou na rua Horacio Lane, passando pelas ruas Luiz Murat, Mourato Coelho e Harmonia.
A festa transcorreu em clima familiar, com pais e crianças. Mariana Nogueira, 40, mãe de Bernardo, frequenta o bloco há três anos, a mesma idade do filho. ?Gosto muito de carnaval, desde que o meu filho nasceu não perco um?. Acompanhada do marido, a foliã sempre visita os blocos da Vila Madalena. ?Viajamos bastante no carnaval, mas sempre aproveitamos São Paulo?.
Já o assistente-social carioca Fábio Simas, 35, veio passar a semana em São Paulo com a namorada e amigos do Rio. O grupo, que se conheceu no carnaval, alterna a folia no Rio e na capital paulista. ?Estou curtindo muito. É a primeira vez que venho a esse bloco em São Paulo?, disse Simas.
PROTESTOS
A designer Fabiane Zambon, 29, criou uma fantasia feita com galão de água para fazer uma crítica à crise da água em São Paulo. Ela desfilou, na tarde deste domingo (8), no Bloco do Pasmado, em Pinheiros, zona oeste da cidade.
?O Carnaval de rua é o movimento legítimo para também consertarmos o que não está funcionando na nossa cidade?, explicou.
Ela disse que não encontrou outras ?cisternas?, mas que ?espera encontrar boas soluções para reutilização da água nas casas das pessoas e principalmente na indústria, no agronegócio e na pecuária.?
O engenheiro Diego Estrozi, 29, saiu de casa neste domingo vestindo apenas uma toalha enrolada na cintura, uma touca de banho com corações rosa e vermelho e um tênis. ?Acabou a água enquanto eu tomava banho e não pude colocar uma roupa limpa?, zombou.
Ele afirmou que sua fantasia é um gesto político contra a crise da água no Estado.
