Japão confisca passaporte e impede fotógrafo de viajar para a Síria
SÃO PAULO, SP - O governo do Japão confiscou o passaporte de um fotógrafo que iria para a Síria para cobrir o conflito civil, uma medida destinada segundo as autoridades a "proteger sua vida", informou neste domingo (8) a imprensa local.
As autoridades souberam da intenção de Sugimoto de viajar à Síria ao ler uma entrevista dele na imprensa, e decidiram confiscar seu passaporte depois que o fotógrafo se negou a cancelar seus planos, segundo a TV estatal "NHK".
A decisão ocorreu após o sequestro e execução de dois cidadãos japoneses por parte do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que também ameaçou assassinar cidadãos japoneses "seja onde for que estiverem".
Trata-se da primeira vez que o Ministério das Relações Exteriores retira por motivos de segurança o passaporte de um cidadão japonês que se dispunha a viajar ao exterior, segundo disseram fontes governamentais à agência local "Kyodo".
O homem, o fotógrafo free-lancer Yuichi Sugimoto, criticou esta medida ao considerar que "infringe a liberdade de expressão".
O ministério, por sua vez, assinalou que aplicou a legislação que contempla a retirada do passaporte de um cidadão "com o objetivo de proteger sua vida".
HOMENAGENS
Neste domingo, dezenas de pessoas prestaram homenagens e protestaram em Tóquio contra o assassinato do jornalista japonês Kenji Goto e do empresário Haruna Yukawa pelo grupo Estado Islâmico. Kenji foi decapitado após ficar três meses como refém na Síria. Ele viajou até lá para negociar a soltura de Yukawa, que também foi executado.
Os manifestantes carregavam frases como "Eu Sou Kenji", em referência ao lema "Eu Sou Charlie", entoado pelos franceses após o ataque ao jornal "Charlie Hebdo", no mês passado.
