Confrontos por domínio de cidade deixam 13 mortos no leste da Ucrânia
SÃO PAULO, SP - Pelo menos 13 pessoas morreram e 49 ficaram feridas nesta terça-feira (3) no conflito entre soldados do Exército da Ucrânia e separatistas pró-Rússia perto de Debaltseve, na região de Donetsk, no leste do país.
A cidade, que abriga o principal entroncamento ferroviário e rodoviário da região, é assediada pelos insurgentes desde a noite de domingo (1º), horas após o fracasso nas negociações pela retomada do cessar-fogo em Minsk, capital de Belarus.
Segundo testemunhas, os soldados do governo ucraniano e os separatistas trocam disparos de foguetes em bairros da zona rural de Debaltseve. Alguns dos explosivos acabaram atingindo casas de civis em quatro bairros.
O porta-voz da autoproclamada República de Donetsk, Eduard Basurin, disse ao site Novorossiya que oito pessoas morreram e 22 ficaram feridas durante os combates de madrugada. Outros 2.000 deixaram a cidade nos últimos dias.
Por outro lado, o Exército ucraniano afirmou ter sofrido cinco baixas na região nas últimas 24 horas, além de 27 agentes que se feriram. Os combates são intensos em Debaltseve e na vizinha Vuhlehirsk, tomada pelos rebeldes desde a semana passada.
Devido à ofensiva, cerca de 2.000 dos 25 mil moradores da região deixaram suas casas. Debaltseve é uma das últimas áreas controladas pelo Exército ucraniano na região de Donetsk.
Os militares perderam espaço no leste do país desde que os separatistas decidiram lançar uma ofensiva em janeiro, a maior desde o início do cessar-fogo, em setembro, e uma das mais intensas desde o começo do conflito, em abril.
Segundo a Comissão de Direitos Humanos da ONU, 224 civis foram mortos nas últimas três semanas no leste ucraniano, o que fez elevar para 5.358 o número de pessoas mortas nos dez meses de confrontos.
REFORÇO
Na última segunda (2), tanto separatistas quanto o Exército reforçaram a retórica do conflito e convocaram novos combatentes. Os rebeldes chegaram a falar que conseguiriam convocar até 100 mil soldados para combater as forças de Kiev.
O líder separatista de Donetsk, Andrei Zakharchenko, disse que a mobilização começa no dia 9. Analistas, porém, desconfiam da capacidade de aumento das tropas em ambos os lados.
Mesmo assim, Zakharchenko e seu colega de Lugansk, Igor Plotnitski, afirmam estarem dispostos a suspender os combates e retornar as negociações, desde que Kiev substitua seu negociador, o ex-presidente Leonid Kuchma, por alguém que tenha poder de decisão.
"Não queremos sangue. Somos a favor da via negociadora. Exigimos que Kiev se sente à mesa de negociações para chegarmos a um acordo", acrescentou a declaração conjunta dos líderes rebeldes.
Nesta terça (3), a Ucrânia passou a exigir passaporte para a entrada de russos, que antes podiam cruzar a fronteira apenas com a carteira de identidade. Para o governo ucraniano, a medida é uma forma de conter o fluxo de combatentes.
A Ucrânia acusa o governo russo de enviar homens para os combates em Donetsk e Lugansk, o que Moscou nega. Devido a isso, Estados Unidos e União Europeia aplicaram sanções econômicas ao país governado por Vladimir Putin.
