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Após cinco meses, tripulantes deixam navio abandonado na costa brasileira

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PORTO ALEGRE, RS - Após enfrentar escassez de alimentos e falta de energia elétrica por cinco meses, onze tripulantes de um navio cargueiro abandonado pelo dono no Rio Grande do Sul decidiram deixar a embarcação e voltar a seus países de origem.

Oito egípcios, dois romenos e o capitão, da Geórgia, estavam quase confinados no cargueiro Adamastos desde agosto, ancorado em um ponto a 12 km do litoral sul gaúcho, e aguardavam o pagamento de salários atrasados. O dono da embarcação, que é da Grécia, no entanto, praticamente abandonou o navio e não se manifesta sobre as dívidas.

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No sábado (24), o grupo deixou o cargueiro com ajuda de uma equipe do porto de Rio Grande. Eles devem retornar a seus países nesta semana.

"Era uma situação desumana. Tínhamos pouca comida, sem banho, podíamos beber só um copo de água por dia e a energia só era ligada por uma hora diária. Era escuro o tempo todo e muito perigoso para a navegação", diz o egípcio Mostafa Shams, 34. 

Em dezembro, um outro grupo da tripulação, formado por indonésios, já tinha abandonado o barco. Os 11 últimos tripulantes, porém, insistiam em ficar a bordo porque entendiam que não conseguiriam reaver a remuneração atrasada voltando a seus países. Alguns deles já haviam saído temporariamente do navio por motivos de saúde e para providenciar mais mantientos. 

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Shams diz que um dos motivos da decisão de sair agora da embarcação foi a esperança de que as leis trabalhistas brasileiras garantam o pagamento das quantias atrasadas. Um advogado brasileiro vai representá-los. O navio tem bandeira da Libéria. 

"Ficar um ano fora de casa e voltar sem dinheiro é muito ruim. Vamos retornar sem nada, com nossas famílias passando necessidade." 

O navio está carregado com milhares de toneladas de soja, avaliadas em R$ 32 milhões, que já começam a estragar. Segundo o Ministério do Trabalho, a degradação do produto pode liberar gases tóxicos e inflamáveis.

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A Polícia Federal na cidade de Rio Grande está colhendo depoimento dos tripulantes nesta segunda-feira (26) e abriu inquérito para apurar se houve algum crime na relação trabalhista, como trabalho análogo à escravidão. 


O CASO

Ao deixar o porto de Rio Grande em agosto, após receber um carregamento de soja exportada para a China, o navio teve problemas e precisou ser rebocado para o alto-mar. As autoridades então constataram que havia dívidas portuárias não pagas e impediram que o cargueiro deixasse o país. 

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Sem resposta da empresa grega proprietária do navio, a tripulação foi ficando sem mantimentos e não recebia o pagamento dos salários. 

Uma inspeção apurou que havia irregularidades no setor de máquinas que precisariam sem consertadas para o navio voltar a funcionar. Segundo fiscais do Ministério do Trabalho, os tripulantes já sofriam sintomas de depressão. 

Em dezembro, a Justiça Federal mandou a empresa responsável providenciar nova tripulação, o que não foi atendido.

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