Greve de motoristas deixa Curitiba sem transporte coletivo nesta segunda
ESTELITA HASS CARAZZAI
CURITIBA, PR - A greve de motoristas e cobradores deixou os moradores de Curitiba sem ônibus na manhã desta segunda-feira (26). Cerca de 2 milhões de passageiros dependem do transporte coletivo na capital paranaense.
A categoria reclama que, desde o fim do ano passado, as empresas de transporte têm atrasado os salários. No último dia 20, os trabalhadores não receberam o adiantamento de 40% do salário, o que motivou a paralisação desta segunda.
Segundo o Sindimoc (sindicato da categoria), 100% dos ônibus deixaram de circular. A Prefeitura de Curitiba conseguiu ordem da Justiça para manter pelo menos 30% da frota nas ruas, mas o sindicato diz não ter sido notificado.
Desde a meia-noite, piquetes em frente às garagens das empresas de transporte impedem a saída dos veículos. Alguns ônibus tiveram os pneus esvaziados.
Com a greve, passageiros dependem de lotações particulares, que cobram R$ 6 pela passagem (contra R$ 2,85 da tarifa normal), ou do transporte individual para chegarem ao trabalho.
FUNDO POLÍTICO
As empresas de ônibus argumentam que estão sem dinheiro devido a atrasos nos pagamentos feitos pelo poder público.
O governo do Paraná, comandado por Beto Richa (PSDB), dá um subsídio mensal ao sistema, mas ainda não pagou as últimas três parcelas, numa dívida de R$ 16,5 milhões.
A prefeitura, gerida pelo adversário político Gustavo Fruet (PDT), afirma que a falta desse repasse impediu o pagamento integral às empresas.
Governo e prefeitura travam agora uma queda de braço para definir o valor mensal dos repasses. No início do mês, o convênio que firmava o subsídio expirou.
A gestão de Richa quer pagar menos por passageiro; a prefeitura discorda do cálculo feito pelo governo e o acusa de "desinteresse" pelo transporte coletivo.
