Gravação envolve chefe de Secretaria de Inteligência
BUENOS AIRES, ARGENTINA - Um áudio de um telefonema entre dois suspeitos investigados pelo promotor Alberto Nisman, encontrado morto quatro dias depois de denunciar Cristina Kirchner e membros do governo argentino, foi revelado em um programa de rádio e envolve o atual diretor da Secretaria de Inteligência, Oscar Parrilli.
A conversa entre duas pessoas investigadas por Nisman foi revelada em um programa de rádio chamado "Lanata sem Filtro", apresentado pelo jornalista Jorge Lanata, um opositor do governo Kirchner.
Lanata era um dos jornalistas que tinham contato com o promotor, que foi encontrado com um tiro na cabeça.
No áudio que o apresentador veiculou em seu programa de rádio, conversam duas pessoas que foram denunciadas junto com Cristina por encobrir suspeitos iranianos de um atentado terrorista que matou 85 pessoas numa entidade judaica de Buenos Aires, em 1994.
Um deles é o militante Luis D'Elia, que seria o elo entre a Casa Rosada e os iranianos. O outro é Alberto Khalil, um comerciante argentino de origem libanesa que, segundo Nisman, seria o responsável por fazer contatos secretos com o governo argentino.
Na conversa, os dois marcam um almoço e, depois, Khalil pede ao interlocutor que seja discreto em suas aparições públicas: "Se algum meio de comunicação te ligar, não apareça muito. Por dez dias, no mínimo. Eu sei por que te falo isso".
D'Elia responde que já havia recebido a mesma instrução de Oscar Parrilli havia pouco.
Hoje chefe da inteligência argentina, Parrilli era secretário da Presidência até dezembro do ano passado.
DENÚNCIA
A denúncia de Nisman foi duramente criticada pela presidente em uma carta aberta. Uma de suas fragilidades, afirmou Cristina, é que Nisman investigou dois homens que seriam espiões do governo, mas que, na verdade, não eram.
Quem afirmou que esses dois acusados não eram agentes foi justamente Parrilli.
