União e governo limitam captação de água em rios do interior de São Paulo
CAMPINAS, SP - Empresas de saneamento básico, indústrias e agricultores da região de Campinas terão que reduzir a captação de água em rios toda vez que o volume útil dos reservatórios de represas do sistema Cantareira atingir 5%.
De acordo com o boletim divulgado pela Sabesp, o nível do Cantareira baixou 0,1 ponto percentual em relação ao índice do dia anterior e opera com 5,4% de sua capacidade nesta quinta-feira (22). É a décima primeira queda consecutiva registrada pelo sistema, que abastece 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo.
A série de queda começou no dia 11 de janeiro quando o sistema operava com 6,6% de sua capacidade -que já inclui a segunda cota do volume morto (água do fundo do reservatório que não era contabilizada).
Pelas regras, publicadas nesta quinta no "Diário Oficial" da União, a redução será de 20% para empresas de saneamento e de 30% para indústrias e produtores rurais que fazem irrigação -em relação ao volume diário autorizado.
Na prática, com menos água sendo captada, poderá haver restrições no abastecimento para uso industrial e cultivo de alimentos. Na região de Campinas, municípios já registram falta de água e racionamento.
A publicação ocorreu um dia depois de a União e o Estado de São Paulo terem reduzido a vazão de água do sistema Cantareira para a Grande São Paulo e a região de Campinas.
Os rios atingidos pela medida são o Jaguari, Camanducaia e Atibaia. Este último, por exemplo, é responsável por 95% do abastecimento de Campinas. A captação é feita pela Sanasa (empresa de água e esgoto) do município.
De acordo com a medida, as empresas de saneamento, indústrias e agricultores poderão acompanhar a evolução do volume útil das represas e dos pontos de medição. Serão emitidos alertas toda vez que o limite se aproximar.
Quando o limite for atingido, a restrição será colocada em prática a partir da 0h do dia seguinte. Isso acontecerá sempre às terças e sextas-feiras, que serão os dias seguinte às medições -segunda e quintas-feiras.
Segundo a ANA (Agência Nacional de Águas) e o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) de São Paulo, as regras não incluem as retiradas de água dos reservatórios feitas pela Sabesp para o abastecimento da Grande São Paulo.
De acordo com os órgãos, as regras de restrição foram elaboradas após uma "série de consultas" junto aos usuários de água dos rios atingidos pela medida. As consultas, no total 12, foram iniciadas em maio do ano passado.
REPRESAS
As represas Jaguari, Jacareí, Cachoeira e Atibainha são as responsáveis por transpor água para a região de Campinas, por meio dos rios Jaguari, Camanducaia e Atibaia. No total, as represas têm capacidade para 973,9 bilhões de litros de água.
Segundo medição desta quinta, os níveis estão com sinal de alerta. Ou seja, se não chover e houver recuperação dos níveis de água, a região de Campinas terá que adotar as restrições de captação de água.
