Morte de promotor é 'operação contra o governo', diz Cristina Kirchner
FELIPE GUTIERREZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, publicou em seu site uma carta aberta na qual afirma que o promotor Alberto Nisman não cometeu suicídio e que a morte faz parte de um plano para desestabilizar seu governo.
Em um dos trechos, a presidente diz que "a denúncia do promotor Nisman nunca foi ela mesma a verdadeira operação contra o governo. Ela vai se derrubando logo. Nisman não sabia e provavelmente nunca soube. A verdadeira operação contra o governo era a morte do promotor depois de acusar a presidenta, seu chanceler, o secretário-geral da La Cámpora (organização militante kirchnerista) de serem encobridores dos iranianos acusados pelo atentado terrorista da Amia".
Em outra parte de sua carta ela reitera que seus opositores usaram Nisman e depois o mataram: "Quando a jornalista Sandra Russo analisou o caso no [jornal] 'Página 12" afirmou: 'Quiseram usar Nisman vivo e agora o usam morto', ela se engana. O usaram vivo e depois o necessitavam morto. Triste e terrível assim".
Kirchner começou o texto dizendo que a denúncia de Nisman contra ela é inócua e que o promotor foi enganado ao acreditar que duas pessoas que ele investigava eram espiões ligados à Casa Rosada quando, na verdade, não eram.
A presidente argentina diz que não tem provas, mas não tem dúvidas de suas afirmações. Ela lista casos de suicídios que foram forjados na história da Argentin e termina o texto insinuando que o dono da arma da onde saiu o disparo, um técnico de informática que trabalhou anos com o promotor Alberto Nisman, pode ser o autor.
Ela afirma que é estranho que o técnico em informática, Daniel Lagomarsino, seja o dono da arma, a última pessoa que esteve com Nisman e que tenha entregado a pistola ao promotor no mesmo lugar onde ele foi encontrado morto, no seu apartamento. "Muito estranho", ela reitera.
E depois escreve que "por isso o mais conveniente" é que Lagomarsino seja bem protegido.
