Kiev desmente perda do aeroporto de Donetsk e diz que 'combates seguem'
SÃO PAULO, SP - Autoridades de Kiev desmentiram nesta quinta-feira (22) que suas tropas tenham saído do aeroporto da cidade de Donetsk (leste da Ucrânia) após combates, deixando o complexo nas mãos dos separatistas russos.
"Parte dos edifícios e do território do aeroporto continuam sob controle dos militares ucranianos. Os combates seguem", informou num comunicado o Ministério da Defesa.
Pouco antes, o batalhão de voluntários Azov --voluntários que combatem com as forças de Kiev-- havia informado que os últimos soldados ucranianos haviam abandonado o complexo, que é cenário de combates durante a última semana.
Além disso, ao menos dez soldados ucranianos morreram nas últimas 24 horas no leste da Ucrânia, informaram hoje as autoridades de Kiev, que além disso desmentiram que o aeroporto de Donetsk --onde seis dos soldados morreram-- tenha sido tomado pelos separatistas.
As autoridades ucranianas também reconheceram que 16 dos seus homens foram feitos prisioneiros pelos separatistas após terem ficados feridos durante combates.
O porta-voz das forças ucranianas, Vladislav Selezniov, disse que negocia uma possível liberação deles com os separatistas, mas o líder rebelde Alexandr Zajarchenko afirmou que não quer "nem ouvir falar" de intercâmbios de presos com as forças governamentais.
"Os levarei hoje a algum lugar onde tenham matado pessoas e passarei pela rua para que o povo veja contra quem lutamos", disse Zajarchenko.
Ele se referia à morte de 15 civis num ataque a um ponto de ônibus em Donetsk nesta quinta-feira (22), e disse que os prisioneiros irão a pé do aeroporto ao local e pedirão perdão para as pessoas.
A Ucrânia, por sua vez, culpa os separatistas pela morte dos civis.
Ainda assim, prometeu entregar os corpos dos combatentes mortos às autoridades ucranianas.
Os separatistas pró-Rússia afirmam há dias que o estratégico aeroporto de Donetsk esta sob seu controle.
Os combates entre as forças de Kiev e os rebeldes se estenderam por todo território das regiões de Lugansk e Donetsk e ambos os lados informam que mataram centenas dos inimigos, que logo desmentem.
Segundo a ONU, quase 5.000 pessoas já morreram no leste ucraniano desde abril do ano passado, quando Kiev lançou ofensiva para conter a sublevação separatista que aconteceu após a depposição do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich.
Yanukovich era simpático a Moscou e a região leste da Ucrânia tem maioria de russos étnicos, que não veem com bons olhos a aproximação com a União Europeia defendida pelo novo governo de Kiev, do presidente Petro Porochenko.
