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Família doa córneas de surfista morto por policial

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Família doa córneas de surfista morto por policial
Autor O surfista Ricardo Santos, de 24 anos - Foto: Ryan Miller/Red Bull Content Pool - Foto: Reprodução

FLORIANÓPOLIS, SC - A família do surfista Ricardo dos Santos, 24, que morreu no início da tarde desta terça-feira (20), um dia após levar três tiros de um policial militar na frente de casa, em Palhoça (Grande Florianópolis), doou as córneas dele. 

A Secretaria Estadual da Saúde informou que o material já foi recolhido e está à disposição de receptores. Segundo a pasta, outros órgãos não puderam ser doados porque o surfista sofreu hemorragia interna.

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A direção do Hospital Regional de São José, onde o atleta morreu após passar por quatro cirurgias em dois dias, informou em nota que ele teve "choque hemorrágico e disfunção de múltiplos órgãos, vindo a falecer às 13h10".

Nas redes sociais, amigos do surfista disseram que o corpo será cremado, e as cinzas, jogadas na praia da Guarda do Embaú, onde ele morava. 

Até o início da noite, o corpo estava no IML (Instituto Médico Legal) para necropsia e não havia sido liberado para o velório, que deve ocorrer no salão paroquial da Guarda do Embaú.

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O delegado Marcelo Arruda, de Palhoça, informou que o policial militar Luís Paulo Brentano, 25, autor dos disparos, será indiciado sob suspeita de homicídio doloso qualificado, e não mais por tentativa de homicídio.

O soltado também responderá a processo pelo mesmo crime na Justiça militar. 

Ele está detido no quartel da PM em Florianópolis. A polícia informou que ele ainda não apresentou advogado. 

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ANTECEDENTES

O Ministério Público Estadual informou nesta terça (20) que Brentano já foi denunciado por abuso de autoridade, em Joinville (a 170 km de Florianópolis), em 2010, e por lesão corporal, na capital catarinense, em 2013. Nos dois casos, a Justiça julgou a acusação improcedente. 

De acordo com a Promotoria, o militar responde a outros dois processos que correm em segredo de Justiça. 

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A coronel Claudete Lehmkhul, porta-voz da PM em Santa Catarina, afirmou que o soldado já foi alvo de inquérito interno por "desentendimento com colegas". Mas ponderou que ele "é muito elogiado no batalhão onde trabalha". 

Brentano está na corporação desde 2008. Atua no setor de inteligência da PM em Joinville.
Ricardinho disputava atualmente torneios em ondas gigantes. De 2008 a 2013, disputou etapas do circuito mundial e chegou a derrotar Kelly Slater, 11 vezes campeão do circuito, em uma etapa do WCT. 

A morte dele foi lamentada pelos principais surfistas do país e pela Associação Mundial de Surfe.

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De acordo com a Polícia Civil, Ricardinho foi baleado após discutir com o soldado na frente de casa. 

Segundo o delegado Marcelo Arruda, a família alega que o militar estava usando drogas e havia parado o carro sobre canos de água usados em uma obra na residência; o surfista teria reclamado e foi baleado. 

Na versão do soldado, apresentada em depoimento na segunda-feira, o surfista o abordou com agressividade e o ameaçou com um facão. Por isso, disse, atirou para se defender.

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