Dilma fez apelo à Indonésia como presidente e como mãe, diz ministro
BRASÍLIA, DF - Em entrevista organizada às pressas no final da tarde deste sábado (17), o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) procurou demonstrar o empenho do governo em evitar a execução de Marco Archer na Indonésia.
Segundo documento distribuído pela pasta, desde a prisão do brasileiro, em 2003, seis cartas de presidentes com pedidos de clemência foram enviados ao chefe de Estado indonésio - duas por Luiz Inácio Lula da Silva e quatro por Dilma Rousseff. O ministro disse que a presidente fez seu apelo "como chefe de Estado e como mãe".
De acordo com o Itamaraty, apenas a última correspondência, datada de dezembro, recebeu reposta. Vieira não soube detalhar, porém, o teor dos entendimentos mantidos com o governo da Indonésia.
O chamamento do embaixador brasileiro naquele país, disse o ministro, expressa "gravidade e tensão". O episódio, afirmou, "cria uma sombra" na relação entre os dois países,
Vieira relatou que o embaixador indonésio foi chamado ao Itamaraty, onde recebeu uma carta de protesto formal.
A pena de morte, apontou o ministro, não faz parte da legislação do Brasil "e não faz parte da cultura e da índole brasileira".
RELAÇÃO ESTREMECIDA
Na tarde deste sábado (17), a presidente Dilma Rousseff disse estar "consternada e indignada" com a execução de Moreira. "O recurso à pena de morte, que a sociedade mundial crescentemente condena, afeta gravemente as relações entre nossos países", diz a nota do Planalto enviada à imprensa.
O embaixador brasileiro no país foi chamado a Brasília para "consultas" - medida que, na linguagem diplomática, é considerada uma repreensão.
A carta menciona o apelo feito pelo Executivo brasileiro ao presidente do país asiático, Joko Widodo, na sexta-feira (16), apesar de reconhecer "a gravidade dos crimes que levaram à condenação de Archer" e de respeitar "a soberania e o sistema jurídico indonésio."
"A presidenta Dilma lamenta profundamente que esse derradeiro pedido, que se seguiu a tantos outros feitos nos últimos anos, não tenha encontrado acolhida por parte do chefe de Estado da Indonésia, tanto no contato telefônico como na carta enviada, posteriormente, por Widodo", escreveu a Presidência.
Por meio da missiva, Dilma declarou solidariedade à família do carioca.
