Irã e líderes islâmicos criticam nova caricatura de Maomé em jornal
SÃO PAULO, SP - Com uma nova caricatura de Maomé, a edição do jornal satírico francês "Charlie Hebdo" lançada nesta quarta-feira (14) foi alvo de duras críticas de líderes religiosos muçulmanos, de países como o Irã e da milícia radical Estado Islâmico.
Esta é a primeira edição do semanário desde o atentado à sua redação, que deixou 12 mortos.
Em comunicado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Marzieh Afkham, considerou a capa "insultante" e condenou o gesto do periódico atacado.
"O desenho fere os sentimentos dos muçulmanos e pode desatar um novo círculo vicioso do terrorismo", diz a nota. "O abuso da liberdade de expressão, estendido atualmente no Ocidente, não é aceitável e deve ser impedido".
O Estado Islâmico também externou sua revolta. Através da rádio Al Bayan, a milícia radical considerou estúpida a publicação das novas caricaturas. "Este jornal ateu tenta hoje lucrar com os acontecimentos tendo um rendimento material vendendo uma edição que insulta o profeta".
Para a União Mundial dos Ulemás, o semanário não foi sensato ao publicar novos desenhos de Maomé.
"Se concordamos que [os autores do atentado] são uma minoria que não representa o islã, como podem responder com atos que não são dirigidos a eles, mas contra o profeta venerado por 1,5 bilhão de muçulmanos?".
As caricaturas ainda foram criticados pela instituição religiosa de Al Azhar, a mais importante do islamismo sunita, embora tenha pedido a seus seguidores que ignorem a capa da nova edição do "Charlie Hebdo".
No comunicado, a Al Azhar atribuiu a iniciativa do semanário ao que chamou de "imaginação doente que viola as restrições morais e civilizadas". "A posição do profeta Maomé é muito maior e sublime para que seja ofendida por caricaturas imorais".
TURQUIA
Embora a crítica tenha sido generalizada no Oriente Médio, as charges do "Charlie Hebdo" desta quarta foram publicadas na Turquia. Devido à iniciativa, a redação e a gráfica do diário "Cumhuriyet" amanheceram sob forte esquema de segurança.
Segundo a publicação, as quatro páginas publicadas com desenhos do jornal francês foram vistas pela polícia, que entrou na gráfica do diário, em Istambul, antes de autorizar a distribuição dos exemplares desta quarta-feira.
Segundo a agência de notícias estatal Anadolu, dezenas de estudantes pró-islâmicos fazem um protesto na sucursal do jornal na capital Ancara.
