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Jornais europeus publicam editorial conjunto por liberdade de expressão

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SÃO PAULO, SP - Os diários europeus "Le Monde", da França, "El País", da Espanha, "The Guardian", do Reino Unido, "La Stampa", da Itália, "Süddeutsche Zeitung", da Alemanha e "Gazeta Wyborcza", da Polônia, publicaram nesta quinta-feira (8) um editorial conjunto advogando pela liberdade de expressão e condenado o atentado terrorista sofrido pelo "Charlie Hebdo", que deixou 12 mortos e 11 feridos na quarta, em Paris.
No texto, cujo título é "seguiremos publicando" os periódicos afirmam que "a liberdade de pensar e informar estava sob a mira" já há meses, recordando os casos dos jornalistas decapitados pela milícia radical Estado Islâmico.
Além disso, lembra-se que o Charles Hebdo sempre "negou-se a ceder às ameaças por ter publicado, há quase 10 anos, caricaturas de Maomé", acrescentando que o periódico "não mudou em nada sua cultura da irreverência".
Por fim, afirma que continuarão "informando, investigando, entrevistando, editando, publicando e desenhando sobre todos os temas que nos pareçam legítimos, em um espírito de abertura, enriquecimento intelectual e debate democrático".

LEIA ABAIXO A ÍNTEGRA DO EDITORIAL
O atentado cometido em Paris na quarta-feira 7 de janeiro contra o Charlie Hebdo e o odioso assassinato de nossos colegas, ferrenhos defensores do pensamento livre, não é apenas um ataque à liberdade de imprensa e à liberdade de opinião. É além disso um ataque aos valores fundamentais de nossas sociedades democráticas europeias.
Já nos últimos meses, a liberdade de pensar e informar estava sob a mira, com a decapitação de outros jornalistas, norte-americanos, europeus e de países árabes, sequestrados e assassinados pelas mãos da organização Estado Islâmico. O terrorismo, seja qual for sua ideologia, rechaça a busca da verdade e não aceita a independência de espírito. O terrorismo islâmico, ainda mais.
Depois de negar-se a ceder às ameaças por ter publicado, há quase 10 anos, caricaturas de Maomé, o jornal Charlie Hebdo não mudou em nada sua cultura da irreverência.
Com o mesmo ânimo, nós, os jornais europeus que trabalhamos juntos habitualmente dentro do grupo Europa, continuaremos dando vida aos valores de liberdade e independência que são o fundamento de nossa identidade e que todos compartilhamos.
Continuaremos informando, investigando, entrevistando, editando, publicando e desenhando sobre todos os temas que nos pareçam legítimos, em um espírito de abertura, enriquecimento intelectual e debate democrático.
Devemos isso a nossos leitores. Devemos isso à memória de todos os nossos colegas assassinados. Devemos isso à Europa. Devemos isso à democracia. "Nós não somos como eles", dizia o escritor tcheco Vaclav Havel, opositor do totalitarismo que triunfou e se tornou presidente. Essa é nossa força.

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