Governo vai discutir proibição de pesca com sindicato de SC, diz entidade
JOINVILLE, SC - O protesto de pescadores que fechou por mais de 30 horas o canal de acesso dos portos de Itajaí e Navegantes, em Santa Catarina, e impediu a saída do transatlântico Empress do local, foi encerrado por volta das 16h desta terça (6).
A decisão foi tomada depois que o governo federal se comprometeu a incluir o setor pesqueiro do Estado no debate sobre a medida que proíbe a pesca de 475 espécies de peixes e invertebrados aquáticos a partir de 15 de junho, segundo o Sindip (Sindicato dos Armadores e da Indústria da Pesca de Santa Catarina) e a Capitania dos Portos de Santa Catarina.
O assessor técnico do sindicato Marco Bailon diz que ficou acordado que, na próxima quinta-feira (8), será realizada uma reunião na sede do Ministério da Pesca, em Brasília, com a presença de cinco representantes da indústria pesqueira e o Ministério do Meio Ambiente.
O impasse surgiu após a publicação da portaria de número 445, em 17 de dezembro do ano passado, que reconhece como ameaçadas espécies em quatro categorias (extintas na natureza, criticamente em perigo, em perigo e vulnerável) e estabelece a "proibição de captura, transporte, armazenamento, guarda, manejo, beneficiamento e comercialização" de todas essas.
A lista inclui peixes como cação, lambari, pargo, mero, cherne, garoupa, badejo, côngrio, caranha, sargo e bagre, alvos comuns da indústria pesqueira. Segundo armadores e pescadores, não há pesquisas que comprovem que parte desses pescados estão de fato em risco de desaparecer.
"A lista será revisada", afirma Bailon, que critica o critério utilizado pelo ministério para definir o que se pode ou não pescar.
Segundo ele, a relação foi elaborada com base na opinião da organização não-governamental IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza, em português), que não leva em conta o fato de haver uma atividade econômica em jogo.
"O que queremos é que se façam estudos e levantamentos que indiquem de fato a situação das espécies e estoques pesqueiros", diz Bailon.
O protesto ganhou força em Santa Catarina porque no Estado está o maior polo de pesca industrial brasileiro, com produção anual de 200 mil toneladas de pescado. A frota regional é de cerca de 800 embarcações, e o segmento emprega em torno de 60 mil pessoas em toda a cadeia produtiva.
Além de Itajaí, protestos foram registrados também em outras partes do país. Nesta manhã, pescadores reuniram 30 barcos no Terminal Pesqueiro de Laguna (a cerca de 120 km de Florianópolis) contra a portaria.
Na última sexta-feira (2), cerca de 30 embarcações interromperam a circulação das lanchas que auxiliam as manobras dos navios no Porto de Rio Grande (RS).
A BORDO
Durante o protesto, passageiros que estavam no transatlântico Empress, operado pela empresa espanhola Pullmantur Cruise, demonstraram opiniões divergentes nas redes sociais. Enquanto alguns comemoravam a extensão das férias, outros pareciam preocupados.
Beto Soares, de São Luís (MA), publicou no Instagram uma foto de si mesmo em uma espreguiçadeira, à beira da piscina, seguida da frase: "A manifestação tá rolando e eu tô aki..."
Já a psicóloga Shirley Stamou não parecia tão relaxada. Na mesma rede social, ela declarou que "foi autorizada a abertura das lojas do navio, mas não há informação alguma sobre o que acontecerá na viagem (se houver)".
Stamou afirmou ainda que os passageiros estavam "impedidos de descer do navio" e classificou a situação a bordo como "tensa e de espera".
Segundo a Praticagem do Complexo Portuário, o Empress deve deixar Itajaí às 18h15 desta terça.
