Oficial da PM do Rio é exonerado por incentivar agressão em manifestações
RIO DE JANEIRO, RJ - O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, exonerou nesta segunda-feira (5) o comandante do Batalhão de Choque, coronel Fabio de Souza.
A decisão foi tomada após publicação de reportagem da revista "Veja", que revelou trocas de mensagens via celular em que o coronel incentiva atos violentos de policiais contra manifestantes de rua, além de fazer menções ao regime nazista em tom de elogio.
Todas as mensagens foram incluídas em um inquérito instaurado pela Corregedoria-Geral da PM.
"Fiquei horrorizado com o que consta ali", disse o secretário de Segurança, sobre o conteúdo das mensagens publicadas por Fabio de Souza em um grupo de usuários o aplicativo Whatsapp.
Beltrame compareceu nesta segunda à cerimônia de posse do novo secretariado do governador reeleito Luiz Fernando Pezão, no Palácio Guanabara, sede oficial do poder executivo estadual.
Ele afirmou que não tinha conhecimento dos diálogos publicados pela "Veja". A reportagem da revista afirma, no entanto, que Fabio de Souza já havia sido afastado do comando do Bope (Batalhão de Operações Especiais), em março de 2014, devido ao conteúdo destas mensagens.
Segundo a "Veja", o então comandante-geral da PM, coronel José Luís Castro, disse que comunicou Beltrame pessoalmente sobre o caso em março de 2014. No mesmo mês, Fábio de Souza foi exonerado e transferido para a escolta pessoal de Beltrame.
"Quando veio para a segurança da Secretaria, ele (Fabio de Souza) tinha saído do (Batalhão de) Choque e estava sem função. Não existia procedimento algum contra ele, assim como não há até hoje. Quem vai abrir esse procedimento disciplinar é a pedido meu", disse Beltrame.
Em uma das mensagens enviadas por celular, o coronel Fabio de Souza comemorava o fato de ter atingido um black bloc pelas costas com uma bomba de efeito moral.
"Na última manifestação que fui dei de AM 640 (lançador de bomba de gás não letal) inferno azul nas costas de um black bobo no máximo 30 metros!!! Que orgulho!!!", dizia o coronel na mensagem.
